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Publicado: 19 outubro, 2006 em gays, roteiros, turismo

SP cria posto de turismo para gays

Além de roteiro para visitantes, centro que será instalado no Belvedere 9 de Julho terá cursos, portal e biblioteca

Paulo Baraldi

São Paulo terá seu primeiro centro de informações turísticas e convivência focado para o público que integra o movimento Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBTT) ainda neste ano.

Ontem, a Subprefeitura da Sé, a Secretaria Especial para Participação e Parceria (Sepp) e a Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual (Cads) fecharam os últimos detalhes e assinam hoje um termo de cooperação, que vai estabelecer como funcionará o local no Belvedere 9 de Julho, que já foi um forte ponto de paquera gay.

Logo após a assinatura do termo, será aberto um Edital de Chamamento Público para decidir a empresa parceira que vai administrar o centro. Um dos grandes interessados é a Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat GLS), que já negociava seu envolvimento no projeto com a coordenadoria.

De acordo com o coordenador da Cads, Cássio Rodrigo, o núcleo não vai só ajudar os turistas que procuram diversão, cultura e lazer na capital. Terá cursos profissionalizantes e de capacitação para profissionais interessados em atender esse público, principalmente na área de serviços voltados à comunidade GLS. ‘Ainda deve ter um portal, uma biblioteca e um minitelecentro, para se ter acesso ao que existe de turismo GLS em São Paulo, no Brasil e no mundo’, disse Rodrigo.

O formato exato do centro já foi esboçado pela Cads, mas só será definitivo quando a parceria com a empresa for fechada. ‘O centro vai ser um pólo de atividades o ano todo, fortalecido no período da Parada (Gay) para atrair mais turistas.

‘No início dos trabalhos, um guia turístico feito pela Abrat GLS será usado como base para o material definitivo. Esse roteiro, atualizado anualmente, será distribuído aos turistas. O guia vai incluir empresas consideradas amigas (friendly).

De acordo com o diretor de Marketing e Comunicação da Abrat GLS, Franco Reinaudo, a associação foi convidada pela coordenadoria para ajudar no treinamento de pessoal, fornecimento de material e de estagiários para o atendimento ao público. ‘É superimportante, fundamental para mostrar a cidade e que aqui se respeita a diversidade’, afirmou Reinaudo. ‘Qualquer cidade no exterior tem material específico para o público, com mapas e informações. Aqui não tem nada.

A sensação do turista é de um certo abandono.’De acordo com a Abrat, hoje existem cerca de 80 estabelecimentos – entre cinemas, baladas, bares, restaurantes e outros tipo de lazer – voltados para a comunidade GLS. ‘Se incluirmos os friendly, dá muito mais’, disse Reinaudo, que não tem o número exato de estabelecimentos.

A expectativa da coordenadoria municipal é trabalhar no espaço com seis funcionários em horário comercial, mas existe a pretensão de se estender esse período, conforme a necessidade. A Subprefeitura da Sé cedeu o espaço e a secretaria vai cuidar da administração e manutenção da área.

OPINIÃO

Dono de uma casa noturna na capital, Bob Yang vê o projeto com bons olhos. ‘Acho que precisa e que vai funcionar. São Paulo já chegou em um patamar da cena gay que comporta um centro deste’, disse.

Segundo Yang, o movimento da casa aumenta consideravelmente em feriados e datas especiais por gente de fora da capital. ‘Mas no ano inteiro tem público para isso.

‘O empresário recebe em média 10 mil pessoas por mês em sua balada. Ele não soube estimar quantos são turistas, mas afirmou ser ‘uma fatia considerável e regular’. ‘São Paulo é a capital gay na América Latina, com muitas condições para isso.

Hoje é um destino mundial

‘Contraditório, o DJ Jonny Luxo, conhecido no meio gay, disse que acha importante o posto, mas considera ‘esquisito’ a divisão. ‘É bom que cada vez mais exista esse tipo de coisa, para ver se abre de uma vez por todas a cabeça das pessoas. É legal, mas eu não usaria’, afirmou o DJ.

Jonny Luxo lembrou que o público gay gasta bastante – uma boa notícia para a economia da cidade. Levantamento da Abrat mostra que, num final de semana da parada, a média é de R$ 700 por turista, incluindo hospedagem e transporte. ‘São Paulo recebe bastante turistas gays em feriados, grandes eventos, fora mil outras coisas.

No fim das contas, o centro é legal, importante. São Paulo precisa. Demorou’, disse o DJ.