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As Olimpíadas acontecerão em Beijin = Pequim, na China, uma país tido como corrupto, preconceituoso, homofóbico ao extremo e que está descobrindo as maravilhas da vida capitalista, que aliena tanto quanto o seu tipo de política interna.

Por incrível que pareça, dizem que as olimpíadas nada tem a ver com aquele país, no que eu discordo pois, os esportes são atividades humanas onde mais homofobias, bullying, assédio moral e sexual existem.

Até aí China e Olimpiadas se merecem.

No que elas destoam é apenas no caráter democrático para Inglês ver. Pelo menos nos esportes podemos recorrer a Justiça e reclamar nossos direitos.

Elas estão acima do preconceito

Quatro meninas que namoram meninas abrem o jogo e revelam como encarar a sociedade ao assumir sua sexualidade de cabeça erguida, sem perder a feminilidade

Eduardo Diórioeduardo.diorio@grupoestado.com.br

SÃO PAULO – Quando criança, a gestora de negócios Nina Lopes, hoje com 34 anos, se sentia um ´feijãozinho perdido´ entre os seus colegas de classe. Enquanto as meninas paqueravam os garotos e fantasiavam o primeiro beijo, Nina estava completamente apaixonada pela professora de educação física. Anos depois, lá pelos seus 14 anos, percebeu que os rapazes não a completavam afetivamente e o que queria mesmo era namorar uma garota.

A história da publicitária Mariana Guimarães, de 22 anos, é parecida com o caminho que Nina percorreu: quando pequena, a confusão de sentimentos a assustava, mas nada como uma boa festa entre amigos para espantar os seus bloqueios e deixar fluir a sua verdadeira sexualidade.

Encontros pelo caminho da vida fazem parte do destino da empresária Graziela de Campos, de 39 anos, e da bartender e professora primária Roseli de Almeida, de 40 anos. Ambas começaram a trabalhar como vendedoras, mas não se conheciam. A descoberta de que eram meninas que sentiam atração por meninas aconteceu na mesma época, porém, em lojas e shoppings distintos. Depois de um tempo, as garotas se conheceram, namoraram por mais de sete anos e, hoje, moram juntas.

“O namoro não vingou, mas a amizade, sim. Gosto de cuidar das suas coisas e, se percebo que alguma menina está se aproximando dela por interesse, bato o pé e dou a minha opinião”, revela Roseli.

Na maioria dos casos, a descoberta da orientação sexual acontece na adolescência. No entanto, algumas garotas – por insegurança ou pressão da família – engatam namoros com rapazes a fim de sanar qualquer tipo de questionamento da sociedade. “A maturidade sexual é atingida na puberdade, quando ocorre a maior modificação do papel sexual. O desenvolvimento da parte psicológica está ligado à interação da pessoa com o ambiente familiar, escolar e social”, explica a psicóloga clínica Ruth Ascencio.

A homossexualidade vem sendo estudada há anos e, até hoje, a única certeza entre médicos e psicólogos é que esse assunto não deve ser tratado como doença. Já que não é uma enfermidade, os homossexuais questionam: por que os cientistas não estudam a razão de uma pessoa ser heterossexual?

De acordo com Shirley Souza, autora do livro Amor entre meninas, a resposta é simples: ao longo da história, o ser humano aprendeu a achar normal a relação heterossexual e a considerar a homossexualidade algo fora dos padrões.

Na mira da sociedade

Donas do próprio nariz, Nina, Mariana, Graziela e Roseli não têm medo de assumir que gostam de namorar meninas, pois acreditam piamente neste desejo. Mesmo assim, já passaram por situações nada amigáveis.

“Minha prima ligou para o meu pai e pediu para eu não aparecer mais na casa dela. Meu pai disse que não tinha vergonha de mim e, se alguém devia ficar constrangido, era o pai dela, por deixá-la falar esse absurdo”, lembra Nina.

Decidida, Mariana acredita que as pessoas não conseguem enxergar a diversidade de situações que o mundo oferece. “As pessoas acham que todo mundo tem de ser como elas. Sinto que não querem conhecer o próximo.” Já para Tania Navarro-Swain, historiadora e autora do livro O que é lesbianismo?, a sexualidade é uma multiplicidade de práticas e a heterossexualidade criou uma norma histórica. “É uma instituição política que define limites. O que me interessa é ver a sexualidade como uma das práticas do humano e não centralizá-la. Ela é uma função como outra qualquer”, afirma Tania.

Durante o bate papo com as entrevistadas, Thammy, de 23 anos, filha da cantora Gretchen, virou assunto. Recentemente, a garota posou nua com a namorada para uma revista depois de mudar completamente de visual – adotou cabelo curto e trajes masculinos. A ousadia não fez sucesso entre as garotas. Ao contrário de Thammy, é fácil notar a feminilidade das quatro mulheres. Para elas, não é preciso ter trejeitos masculinos para impor respeito. Aliás, quando querem se relacionar, procuram meninas femininas.

Chiques, descoladas e vaidosas, elas raramente descem do salto alto. “Dia desses, fui numa balada heterossexual e fui cantada por vários homens. Achei divertido”, conta Nina. Essa feminilidade provoca os homens e extermina o estereótipo que algumas pessoas têm das lésbicas – de que todas se comportam como homens. “Adoro usar maquiagem e vestir peças curtíssimas. Meus amigos acham que sou perua”, brinca Mariana.

“Todo mundo fala que eu não tenho jeito de gay. Sou mulher e gosto de me vestir como mulher. Não vejo necessidade de me arrumar como homem para garantir o meu espaço”, reforça Roseli. Da mesma forma que na sociedade heterossexual, na qual existem as patricinhas, as modernas e as esportivas, Nina justifica as diferenças entre os gays. “Antigamente, as assumidas eram as mais masculinizadas. Hoje em dia, as mulheres femininas estão se assumindo e isso surpreende todo mundo, principalmente os homens.”

Cada um na sua

Assumir para si mesmo, de acordo com Nina, é a lição número um para se viver bem. Independentemente do que os pais, os amigos ou os colegas de trabalho vão achar, é importante se aceitar e não se marginalizar quanto à orientação. “Nunca vou dizer que todos os gays devem se assumir publicamente, pois cada um sabe da sua história e o que isso vai gerar”, diz Nina.

“Tenho vários amigos heterossexuais que não me olham e me julgam por ser lésbica. Acredito que tem a ver com a forma com que me coloco para a sociedade”, revela Graziela.

Os amigos heterossexuais das quatro mulheres parecem não se importar quanto à orientação sexual delas. Para eles, o que realmente interessa é a companhia. “Eles costumam se trocar na minha frente e não têm vergonha de eu ser gay”, conta Roseli. Segundo Mariana, no começo, os amigos “achavam divertido ter uma menina gay na turma”, depois, nem se importavam se ela se relacionava com homens ou mulheres. Mesmo assim, até hoje, surgem comentários equivocados – e a publicitária não perde a chance de consertá-los.

“As pessoas confundem orientação com opção. Elas imaginam que eu optei por ser gay. Eu nasci gay”, defende Mariana.

Essa é uma batalha que os homossexuais lutam para vencer. A explicação é simples: quando alguém diz que ser homossexual é uma opção, dá margem para dizer que, a qualquer momento, pode-se optar por não ser mais gay. “A pessoa pode nunca assumir a sua sexualidade e manter a fachada de heterossexual para o resto da vida, mas não significa que ela optou por isso”, justifica Nina. No entanto, a historiadora Tania não está interessada nesses meandros de tipologias e acredita que, quando alguém fala em orientação, “a pessoa caminha com a opção de desvio”.
Mesmo precisando de pequenos ajustes, como o citado por Mariana, o relacionamento entre as garotas lésbicas e seus amigos heterossexuais é extremamente saudável. Na maioria dos casos, as garotas levam seus colegas em danceterias GLS (espaços para gays, lésbicas e simpatizantes) e em eventos que apóiam a bandeira do arco-íris (símbolo gay). A Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (GLBT) é um bom exemplo que revela a quantidade de pessoas que simpatizam com a causa.
“Acho a festa da Parada maravilhosa, mas não gosto dos exageros. Mesmo assim, adoro me divertir com os amigos”, avisa Roseli. Mesmo reunindo mais de 2 milhões de participantes, sendo considerado um dois maiores eventos do gênero de todo o planeta, algumas pessoas não concordam com a proposta. “Não entendo o motivo de existir um dia gay. E o dia do heterossexual, qual é? Sou gay todos os dias”, afirma Graziela.
Regina Facchini, militante, antropóloga e vice-presidente da Associação da Parada GLBT, resolveu abraçar a causa depois de perceber que não podia ficar de braços cruzados e deixar as pessoas serem discriminadas gratuitamente. Trabalhando para os homossexuais há 11 anos, já ajudou a organizar seis Paradas e discorda quando as pessoas consideram o evento uma verdadeira festa. “Não acho que seja uma festa, não sou organizadora de festas. Me considero uma ativista, que organiza uma manifestação pública. Festa as pessoas pagam e vão para uma boate”, justifica.

Segundo a antropóloga, o evento tem uma forte função social. “Em 2006, foram mais de 100 Paradas espalhadas pelo Brasil. Com isso, conseguimos fazer pressão e um projeto contra a homofobia foi aprovado”, finaliza Regina. No ano que vem, o evento já tem data para ser realizado. Com o mote ‘Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia!’, o encontro será realizado no dia 10 de junho. O local ainda não está definido, mas, provavelmente, será na Avenida Paulista.

Os números não mentem

Recentemente, o Grupo Arco-Íris de Conscientização Homossexual (GAI), do Rio de Janeiro, divulgou dados da pesquisa de Cidadania e Sexualidade, encomendada ao Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), em que foram ouvidos mais de 2.000 entrevistados, em 26 Estados brasileiros, que revela dados sobre o comportamento do brasileiro em relação aos direitos homossexuais.

Segundo a pesquisa, 65% dos entrevistados declararam que os gays são muito discriminados e, por mais que pareça paradoxal, 63% alegaram jamais ter presenciado algum tipo de discriminação contra um gay.

Fonte: http://www.estadao.com.br/revistafeminina/noticias/2006/dez/04/195.htm

Publicado: 9 novembro, 2006 em gays, lésbicas, poder, Transexuais, visibilidade

Lista revela os 10 gays mais poderosos do Brasil

A Folha de São Paulo fez uma extensa matéria sobre os 10 gays mais poderosos do Brasil, na edição do dia 8 de novembro.
Destacou o poder de influência de algumas pessoas muito conhecidas pela mídia de determinados circuitos brasileiros mais badalados. São homens formadores de opinião, sem sombra de dúvida.

O jornal não revela como fez a pesquisa até chegar nos nomes: alguns, desconhecidos em várias partes do país, outros que parecem estar em todos os cantos. Fantástico.

A reportagem relacionou o sucesso de cada um dentro de sua área de atuação, não importando onde cada qual se encontre. Melhor que isso, a Folha o fez com brilhantismo, dignidade e respeito, não fosse por um senão: nenhuma mulher gay foi relacionada, e nem transexual.

A Folha deve entender que gay se remete a pessoas do gênero masculino, suponho. Talvez tenhamos uma edição, quem sabe, das 10 lésbicas mais poderosas e, das/dos 10 transexuais mais poderosas.

Uma questão de nomenclatura? De identidade de gênero? Não sei!

Mas, a reportagem acertou em cheio e, se fizesse uma relação com 100 nomes talvez houvesse heterogeneidade para mostrar que o Brasil tem muita gente boa que cabe numa relação deste tipo.

Ponto alto é que a visibilidade homossexual está tomando cada vez mais corpo nas páginas e monitores das mídias, mostrando que ali estão pessoas que lutam pela inclusividade social, contra a homofobia e igualdade de direitos num país em que pouco se faz respeitar sua Constituição por conta de um Código Civil ainda não contemporâneo.

Conheça a matéria da Folha Online em:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u65894.shtml

Publicado: 17 outubro, 2006 em agências, gays, hospedagem, hotéis, lésbicas, roteiros, viagem, viagens

14 Dicas de viagem para gays, lésbicas e simpatizantes (17/10/2006)
por Mitsi Goulias
Fonte: Revista Próxima Viagem

Existem no Brasil agências de turismo que organizam viagens especialmente para o público GLS?

Apesar de o número de homossexuais brasileiros ultrapassar 16 milhões de pessoas, o segmento GLS só começou a ser explorado há pouco mais de cinco anos.

Quem investiu no setor não se arrepende: como não têm gastos com filhos, os gays podem viajar em qualquer época e não se importam de desembolsar um valor maior em troca de um atendimento personalizado. Dinheiro, aliás, que é chamado informalmente de pink money.

Uma pesquisa junto às empresas especializadas constatou que o segmento cresce 100% ao ano. Nos Estados Unidos, esse nicho de mercado movimenta anualmente 50 bilhões de dólares.

Há até uma associação com sede na Flórida reunindo as empresas que atuam no setor. A International Gay and Lesbian Travel Association (www.iglta.org) tem 1200 membros no mundo todo, e opera com gigantes do porte da American Airlines, British Airways, Carlson Wagonlit e Holiday Inn. O Brasil comparece com a rede de hotéis Othon e as agências The Clube e Ipacom, entre outros. Uma das principais operadoras de turismo gay no país é a Álibi Turismo, (Tel. 11/ 3663-0075, www.alibi.com.br), que trabalha só com turistas GLS, enquanto a maioria das agências cria um departamento para atender esse público. O site www.guiagaybrasil.com.br relaciona as empresas do ramo.

Quais são os lugares mais procurados por esses turistas no Brasil?

As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro são consideradas as capitais gays da América do Sul – o que quer dizer que, além de oferecer várias opções de lazer, o preconceito contra a comunidade GLS é bem menor.

Recife vem se destacando como um dos principais destinos de homossexuais no Brasil. Eles se reúnem principalmente na Praia de Calhetas, Boa Viagem e até Porto de Galinhas, a 100 quilômetros da capital.

Salvador, Fortaleza e Florianópolis também são encaradas como lugares gay-friendly, porque possuem uma comunidade gay atuante e uma vida noturna agitada.

Nos últimos anos, Paraty, Angra dos Reis e Búzios, no Rio de Janeiro, estão conquistando uma boa parcela do público homossexual.

Quais as diferenças entre os pacotes dirigidos para o sexo feminino e para o masculino?

Seguindo uma tendência mundial do turismo de explorar nichos de mercado, as viagens GLS também estão subdivididas em roteiros só para homens, só para mulheres e mistos.

Os rapazes preferem programas mais urbanos, com boas opções em vida noturna. Costumam viajar em grupo de amigos (ou com outros casais) e querem que os pacotes incluam serviço de guia e assistência no destino da viagem.

Já as mulheres apreciam programas ecológicos e gostam de ficar em hotéis mais rústicos, desde que aconchegantes. Elas viajam basicamente em casal e, quando entram numa agência, já têm o roteiro definido.

A Chapada Diamantina é uma das viagens mais procuradas pelo público feminino, enquanto Fortaleza atrai os turistas masculinos. Entre os lugares que agradam tanto a eles quanto a elas está Paraty.

Há hóteis frequentados só pela comunidade GLS?

Cada vez mais, gays e lésbicas procuram ficar em locais onde não serão observados com curiosidade pelos outros hóspedes e nem terão de passar pelo constrangimento de pedir uma cama de casal para dois homens ou duas mulheres.

No exterior, esses estabelecimentos são bem comuns – em Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, por exemplo, existem cerca de trinta hotéis direcionados ao mercado GLS.

Há lugares que se especializaram ainda mais e aceitam só gays ou só lésbicas como hóspedes. É o caso do Timberfell Lodge (www.timberfell.com), no Estado americano do Tennessee, voltado apenas para eles, e do Queen of Hearts (www.queenofheartsps.com), em Palm Springs, Califórnia, só para elas.

O site www.gayplaces2stay.com relaciona hotéis no mundo todo, entre locais exclusivos para o público gay ou com um perfil mais tolerante.

No Brasil, o único hotel do gênero é o recém-inaugurado Absolut Resort, na Praia da Lagoinha, a 50 minutos de Fortaleza, Ceará. Numa área de 8700 metros há 32 bangalôs, piscina, sauna, academia de ginástica, restaurante, boate e área para shows. Mais informações no site www.gay.com relacionou os 10 destinos mais românticos para casais GLS – e onde eles não enfrentam discriminação.

Nos Estados Unidos, foram votados Havaí, Vermont, Santa Fe e Provincetown. Na Europa: Paris e Praga. Também tiveram boa cotação Montreal, no Canadá; St. Barts, no Caribe; Cidade do Cabo, na África do Sul, e Puerto Vallarta, no México. Em quase todos os lugares, os enclaves gays das cidades podem ser identificados por um arco-íris estampado na porta.

Há sites de turismo voltados para gays e lésbicas?

Alguns dos melhores sites são as versões on-line das revistas estrangeiras de turismo gay, que além de reportagens sobre diversos destinos, apresentam textos com dicas para aproveitar ao máximo a viagem. É o caso da Our World (www.ourworldpublishing.com), da Out & About (www.outandabout.com), e da Passport Magazine (www.passport.net), todos em inglês.

Outros bons endereços são www.odyusa.com, www.planetout.com, www.gay.com e www.gayguide.net.

No Brasil, o principal site com informações de turismo direcionadas especialmente para a comunidade GLS é o www.guiagaybrasil.com.br.

Existem cruzeiros exclusivos para homens ou mulheres?

Sim, e foram justamente esses roteiros que deram o impulso inicial ao segmento de turismo GLS. A primeira viagem desse tipo foi feita em 1986, pela empresa Olivia Cruises (www.oliviatravel.com), que fretou um navio só para mulheres, num programa de quatro noites pelas Bahamas.

Passados dezesseis anos, a operadora já organizou mais de cinqüenta excursões pelo mundo e atendeu cerca de 30000 clientes. Nesses passeios, tudo é desenvolvido sob medida – shows, músicos, comediantes, DJs e funcionários são recrutados para atender o público feminino. Por isso, esses cruzeiros são um pouco mais caros do que os convencionais. A RSVP (www.rsvp.net) e a Atlantis (www.atlantisevents.com) atuam da mesma forma, mas são procuradas principalmente pelos homens. Essas companhias lotam navios da Norwegian Cruise Lines, Royal Caribbean e Carnival com até 3000 passageiros. Elas também reservam hotéis e resorts inteiros com o mesmo objetivo.

No Brasil, os cruzeiros temáticos ainda não contemplam a comunidade gay, mas os roteiros organizados pelas empresas americanas são vendidos nas agências que atendem o público GLS.

As estações de esqui promovem semanas voltadas para o público gay?

Sim, e esses eventos atraem mais de 5000 pessoas. Tudo começou há 25 anos, quando um grupo de esquiadores gays e lésbicas inaugurou a tradição de se reunir uma vez por ano em Aspen, nos Estados Unidos. Com o tempo o encontro de amigos foi se tornando mais profissional e hoje é organizado por entidades beneficentes.

O evento acontece em janeiro e durante uma semana a estação é tomada por festas, jantares, shows e, é claro, competições de esqui e snowboarding. Você encontra mais informações no site www.gayskiweek.com. Outras estações que também promovem eventos desse tipo são Park City, em Utah e Stowe, em Vermont, ambas nos Estados Unidos; Katschberg, na Áustria; Whistler, no Canadá; Club Med Les Menuires, na França.

Os códigos de conduta são os mesmos em todo lugar?

Na década de 70 e início dos anos 80, os gays (principalmente dos Estados Unidos e da Alemanha) usavam lenços nos bolsos traseiros das calças compridas para deixar evidentes suas intenções sexuais.

Pela cor do tecido exibido, sabia-se o que cada pessoa procurava em um parceiro. Esses códigos eram populares numa época em que a repressão sexual era bem maior do que nos dias de hoje.

Em alguns países onde a homossexualidade ainda é tabu, como Cuba, esses sinais até podem ser vistos, mas é muito mais comum as pessoas se reconhecerem pela maneira de se vestir e de agir.

Os gays normalmente usam roupas de grife (as preferidas são Armani e Gucci) e adotam um estilo mais arrojado.

Outro código universal da comunidade é que os bares e restaurantes gays sempre se localizam no centro das cidades ou nos bairros descolados. Isso começou porque, no passado, como as pessoas não tinham onde se encontrar em segurança, convencionou-se ir sempre para o Centro.

E os bairros mais modernos também conquistaram espaço porque reúnem um grande número de lojas sofisticadas, galerias de arte e casas noturnas badaladas, lugares que atraem um público alternativo e liberal. É assim no bairro dos Jardins, em São Paulo; em Ipanema, no Rio de Janeiro; e no SoHo, em Nova York.

Existem guias especializados com dicas de turismo GLS?

Nos Estados Unidos e em grande parte da Europa, onde casais gays sofrem menos discriminação, a oferta de guias é bem maior. Por lá, são muito populares os livros da editora Damron, com vários títulos de turismo voltados para gays e lésbicas. Damron Men’s Travel Guide, o carro-chefe, existe desde 1964, e relaciona mais de 100000 opções de hotéis, bares, restaurantes e passeios nos Estados Unidos e em algumas cidades da Europa.

Há uma versão feminina, além de guias só com dicas de acomodações e outro com mapas de 125 cidades americanas, canadenses e européias. Outro favorito do público GLS é o Spartacus International Gay Guide, que já está na 31ª edição. Considerado um dos mais completos, contém 25000 endereços e dicas nos EUA e em muitos outros lugares. Outra opção é o Odysseus International Gay Travel Planner, com informações sobre 116 países.

Tradicionais editoras de guias de viagem também investiram no filão. É o caso do Frommer’s Gay & Lesbian Europe, sem versão para o português e o Fodor’s Gay USA, já traduzido e vendido pela Júlio Louzada Publicações.

A Maison de La France, órgão oficial de turismo da França, editou o guia Gay Friendly France, com 23 páginas. A publicação é escrita em inglês e os exemplares, gratuitos, podem ser pedidos no escritório brasileiro, pelo telefone (11) 3284-1633.

No Brasil ainda são poucos os guias de turismo. Um dos pioneiros é o Guia Brasil GLS, de Franco Reinaudo, publicado pela Summus Editorial. Com informações também em inglês e espanhol, traz mais de 500 endereços, em grandes capitais e cidades menores. Custa 18 reais e os pedidos podem ser feitos pela internet, no site www.edgls.com.br .

Recém-lançado, o livro PE-Gay, de Alessandro Monte, apresenta bares, boates, restaurantes e outras atrações do circuito gay de Pernambuco. A distribuição é gratuita e ele está disponível nos principais pontos turísticos.

Como funcionam os Gay Days nos parques temáticos?

O que começou em 1991 como um dia inteiro dedicado ao público gay nos parques da Disney, em Orlando, evoluiu para uma semana inteira de brincadeiras. O evento ganhou o nome de Gay Day, com início no primeiro sábado de junho, e se estende por outros parques da Flórida.

A idéia foi copiada e hoje o Gay Day se realiza em dezenas de lugares, como nos Six Flags de Chicago, Denver e Atlanta. No exterior, a Disneylândia de Tóquio (no Japão) e o Paramount Wonderland de Toronto (no Canadá) promovem eventos similares.

A programação está no site www.gayday.com. Inspirado no Gay Day da Disney, o Hopi Hari, parque de diversões perto de São Paulo, organizou em junho uma festa do gênero, com grande sucesso.

Que cuidados é preciso tomar em países hostis aos homossexuais?

Em países muçulmanos mais radicais, o homossexualismo é considerado crime. Trocar carícias em público no Egito com uma pessoa do mesmo sexo pode dar cadeia. Já em países asiáticos como a China, é comum homens andarem de mãos dadas, sem qualquer conotação sexual. Por isso, convém pesquisar os hábitos culturais antes de viajar, usando a internet ou guias de turismo. Se os costumes são rígidos, evitará riscos quem adaptar o comportamento aos padrões locais.

As grandes cidades sempre têm publicações gays (muitas delas distribuídas nos hotéis) que relacionam bares e restaurantes voltados à turma GLS. Mas fazer contato com os homossexuais locais ainda é a melhor maneira de conseguir dicas espertas.

Casais do mesmo sexo têm benefícios iguais aos hetero?

Pela política adotada pelas companhias aéreas American Airlines e U.S. Airways, que fazem vôos domésticos nos Estados Unidos, benefícios como passagens descontadas do plano de milhagem e acesso à sala vip nos aeroportos podem ser usados pelo parceiro do cliente titular, independentemente do sexo. Ele também tem direito a incorporar as milhas acumuladas, em caso de morte do titular.

Na rede Marriott, os pacotes de lua-de-mel também podem ser usados por casais homossexuais. Um dos hotéis do grupo, o Marriot Frenchman´s Reef and Morning Star Beach Resort (www.offshoreresorts.com), nas Ilhas Virgens, no Caribe, realiza celebrações de casamento – por enquanto, um ato simbólico sem valor judicial. Benefícios como esses são mais comuns nos Estados Unidos, onde a comunidade gay é muito maior do que nos outros países e, por estar organizada em associações, tem mais poder de negociação com as empresas.

É verdade que nos Estados Unidos há até rodeios gays?

Eles existem mesmo, mas a diferença em relação aos eventos convencionais é que todas as atividades foram adaptadas para evitar maus-tratos aos animais e diminuir o risco de acidentes com os competidores.

Nos Estados Unidos, onde os rodeios são muito populares, foi criada em 1985 a International Gay Rodeo Association, IGRA, entidade que reúne mais de 10000 pessoas de vinte associações regionais espalhadas pelo país e pelo Canadá. Além de regularizar a prática do esporte, a IGRA (www.igra.com) coordena campeonatos em Estados como Arizona, Missouri e Texas e promove uma grande final anual entre competidores da América do Norte, em que os prêmios incluem cruzeiros marítimos gays de uma das maiores operadoras americanas do ramo, a RSVP. No ano passado, o evento atraiu, em quatro dias, mais de 6000 pessoas em Palm Springs, Califórnia.

Fonte: http://www.sobreelas.com.br/
acontece.asp?dismode=article&artid=2457