Arquivo da categoria ‘gênero’

Tatiany Volker Boldrini e Wanderson Oni Mansur

Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SESP) apontam que entre janeiro a 6 abril de 2009 o Estado do Espírito Santo registrou 528 homicídios, sendo que do total 412 são negros (250 deles jovens). As estatísticas confirmam denúncias de extermínio racial feitas pelo Fórum Estadual da Juventude Negra (Fejunes) durante o ato público em 3 de abril.

“Os números demonstram a grande vulnerabilidade, o risco social a que estão submetidos jovens negros do estado. A violência no Espírito Santo continua aumentando e o extermínio da juventude negra ainda é uma realidade distante de ser superada”, de acordo com informações do Fejunes, que promoveu a manifestação na Praça Costa Pereira.

Durante o evento, o microfone foi aberto ao público para manifestação contra o preconceito racial. “Uma iniciativa como essa é importante, pois você sai daquelas duas datas já tradicionais do movimento negro, que é o 13 de maio e dia 20 de novembro. Se o racismo é uma prática diária, precisamos combatê-lo também cotidianamente, precisamos levar esse debate para a rua, com a sociedade”, refletiu Jorge José Viana, coordenador de cultura e diretor para assuntos raciais do Centro Comunitário Forte São João.

Nelma Gomes Monteiro, gerente de Políticas de Raça da Secretaria de Direitos Humanos de Vitória (Semcid), destaca a importância deste momento: “O racismo continua existindo neste país e o extermínio da juventude negra tem aumentado em função de uma teoria e cultura discriminatórias” .

Além do ato público, outras atividades vêm sendo desenvolvidas pelo Fejunes, a fim de contribuir para a reflexão da temática do racismo, como apresenta Stela Raiane da Silva, integrante do fórum. “É importante não só debater o tema com a sociedade, mas envolver a polícia nesta campanha contra o extermínio da juventude negra. Pretendemos também debater não só o genocídio de negros como o preconceito racial com jovens em escolas públicas e privadas ainda este ano”, informou.

O Ato Público pela Eliminação da Discriminação Racial foi realizado pelo Fejunes em parceria com a Gerência de Raça da Semcid e o Centro de Referência da Juventude (CRJ) de Vitória. O evento ainda contou com a distribuição de panfletos informativos para a população sobre o dia 21 de março e ainda a cartilha “Racismo: Tô fora” contendo dados sobre o extermínio da juventude negra capixaba, ambas produzidas pelo Fejunes e que podem ser encontradas no blog www.fejunes. blogspot. com ou a pedidos pelo email fejunes_es@yahoo. com.br.

Ao final do dia, foram apresentados o documentário realizadas ap resentações culturais e musicais no Centro de Referência da Juventude (CRJ), em Jucutuquara, com a participação de MC Tinho, MC Frajola, o bailarino Renato Santos e Fabian Afrikan.

21 de março lembra Apartheid e massacre na África do Sul

Segundo Nelma Gomes Monteiro, gerente de Políticas de Raça de Vitória, o ato vem no sentido de rememorar o dia 21 de março de 1960. “Esse dia é importante para a população negra mundial, pois lembra o ataque sofrido por manifestantes negros na África do Sul, numa época em que o país vivia em pleno Apartheid. No dia 21 de março mais de 60 negros foram mortos pela polícia local, enquanto faziam uma manifestação pela igualdade racial”.

Após esse acontecimento a opinião pública mundial intensificou a atenção à perseguição da população negra durante o Apartheid. Em 1969, a ONU oficializou o dia 21 de março como o Dia Mundial para a Eliminação da Discriminação Racial.

Analise DA SILVA
PROFA ADJUNTA FAE UFMG
Gabinete 1646
Tel 3409.6195
Roberto Warken
Sociólogo – Consultor Organizacional – Coach
Site:     http://www.warken.floripa.com.br
Blog:    http://warken.posterous.com
+55 (48) 9981-1278
Florianópolis-SC-Brasil

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Tatiany Volker Boldrini e Wanderson Oni Mansur

Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SESP) apontam que entre janeiro a 6 abril de 2009 o Estado do Espírito Santo registrou 528 homicídios, sendo que do total 412 são negros (250 deles jovens). As estatísticas confirmam denúncias de extermínio racial feitas pelo Fórum Estadual da Juventude Negra (Fejunes) durante o ato público em 3 de abril.

"Os números demonstram a grande vulnerabilidade, o risco social a que estão submetidos jovens negros do estado. A violência no Espírito Santo continua aumentando e o extermínio da juventude negra ainda é uma realidade distante de ser superada", de acordo com informações do Fejunes, que promoveu a manifestação na Praça Costa Pereira.

Durante o evento, o microfone foi aberto ao público para manifestação contra o preconceito racial. "Uma iniciativa como essa é importante, pois você sai daquelas duas datas já tradicionais do movimento negro, que é o 13 de maio e dia 20 de novembro. Se o racismo é uma prática diária, precisamos combatê-lo também cotidianamente, precisamos levar esse debate para a rua, com a sociedade", refletiu Jorge José Viana, coordenador de cultura e diretor para assuntos raciais do Centro Comunitário Forte São João.

Nelma Gomes Monteiro, gerente de Políticas de Raça da Secretaria de Direitos Humanos de Vitória (Semcid), destaca a importância deste momento: "O racismo continua existindo neste país e o extermínio da juventude negra tem aumentado em função de uma teoria e cultura discriminatórias" .

Além do ato público, outras atividades vêm sendo desenvolvidas pelo Fejunes, a fim de contribuir para a reflexão da temática do racismo, como apresenta Stela Raiane da Silva, integrante do fórum. "É importante não só debater o tema com a sociedade, mas envolver a polícia nesta campanha contra o extermínio da juventude negra. Pretendemos também debater não só o genocídio de negros como o preconceito racial com jovens em escolas públicas e privadas ainda este ano", informou.

O Ato Público pela Eliminação da Discriminação Racial foi realizado pelo Fejunes em parceria com a Gerência de Raça da Semcid e o Centro de Referência da Juventude (CRJ) de Vitória. O evento ainda contou com a distribuição de panfletos informativos para a população sobre o dia 21 de março e ainda a cartilha "Racismo: Tô fora" contendo dados sobre o extermínio da juventude negra capixaba, ambas produzidas pelo Fejunes e que podem ser encontradas no blog www.fejunes. blogspot. com ou a pedidos pelo email fejunes_es@yahoo. com.br.

Ao final do dia, foram apresentados o documentário realizadas ap resentações culturais e musicais no Centro de Referência da Juventude (CRJ), em Jucutuquara, com a participação de MC Tinho, MC Frajola, o bailarino Renato Santos e Fabian Afrikan.

21 de março lembra Apartheid e massacre na África do Sul

Segundo Nelma Gomes Monteiro, gerente de Políticas de Raça de Vitória, o ato vem no sentido de rememorar o dia 21 de março de 1960. "Esse dia é importante para a população negra mundial, pois lembra o ataque sofrido por manifestantes negros na África do Sul, numa época em que o país vivia em pleno Apartheid. No dia 21 de março mais de 60 negros foram mortos pela polícia local, enquanto faziam uma manifestação pela igualdade racial".

Após esse acontecimento a opinião pública mundial intensificou a atenção à perseguição da população negra durante o Apartheid. Em 1969, a ONU oficializou o dia 21 de março como o Dia Mundial para a Eliminação da Discriminação Racial. 

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As Olimpíadas acontecerão em Beijin = Pequim, na China, uma país tido como corrupto, preconceituoso, homofóbico ao extremo e que está descobrindo as maravilhas da vida capitalista, que aliena tanto quanto o seu tipo de política interna.

Por incrível que pareça, dizem que as olimpíadas nada tem a ver com aquele país, no que eu discordo pois, os esportes são atividades humanas onde mais homofobias, bullying, assédio moral e sexual existem.

Até aí China e Olimpiadas se merecem.

No que elas destoam é apenas no caráter democrático para Inglês ver. Pelo menos nos esportes podemos recorrer a Justiça e reclamar nossos direitos.

Elas estão acima do preconceito

Quatro meninas que namoram meninas abrem o jogo e revelam como encarar a sociedade ao assumir sua sexualidade de cabeça erguida, sem perder a feminilidade

Eduardo Diórioeduardo.diorio@grupoestado.com.br

SÃO PAULO – Quando criança, a gestora de negócios Nina Lopes, hoje com 34 anos, se sentia um ´feijãozinho perdido´ entre os seus colegas de classe. Enquanto as meninas paqueravam os garotos e fantasiavam o primeiro beijo, Nina estava completamente apaixonada pela professora de educação física. Anos depois, lá pelos seus 14 anos, percebeu que os rapazes não a completavam afetivamente e o que queria mesmo era namorar uma garota.

A história da publicitária Mariana Guimarães, de 22 anos, é parecida com o caminho que Nina percorreu: quando pequena, a confusão de sentimentos a assustava, mas nada como uma boa festa entre amigos para espantar os seus bloqueios e deixar fluir a sua verdadeira sexualidade.

Encontros pelo caminho da vida fazem parte do destino da empresária Graziela de Campos, de 39 anos, e da bartender e professora primária Roseli de Almeida, de 40 anos. Ambas começaram a trabalhar como vendedoras, mas não se conheciam. A descoberta de que eram meninas que sentiam atração por meninas aconteceu na mesma época, porém, em lojas e shoppings distintos. Depois de um tempo, as garotas se conheceram, namoraram por mais de sete anos e, hoje, moram juntas.

“O namoro não vingou, mas a amizade, sim. Gosto de cuidar das suas coisas e, se percebo que alguma menina está se aproximando dela por interesse, bato o pé e dou a minha opinião”, revela Roseli.

Na maioria dos casos, a descoberta da orientação sexual acontece na adolescência. No entanto, algumas garotas – por insegurança ou pressão da família – engatam namoros com rapazes a fim de sanar qualquer tipo de questionamento da sociedade. “A maturidade sexual é atingida na puberdade, quando ocorre a maior modificação do papel sexual. O desenvolvimento da parte psicológica está ligado à interação da pessoa com o ambiente familiar, escolar e social”, explica a psicóloga clínica Ruth Ascencio.

A homossexualidade vem sendo estudada há anos e, até hoje, a única certeza entre médicos e psicólogos é que esse assunto não deve ser tratado como doença. Já que não é uma enfermidade, os homossexuais questionam: por que os cientistas não estudam a razão de uma pessoa ser heterossexual?

De acordo com Shirley Souza, autora do livro Amor entre meninas, a resposta é simples: ao longo da história, o ser humano aprendeu a achar normal a relação heterossexual e a considerar a homossexualidade algo fora dos padrões.

Na mira da sociedade

Donas do próprio nariz, Nina, Mariana, Graziela e Roseli não têm medo de assumir que gostam de namorar meninas, pois acreditam piamente neste desejo. Mesmo assim, já passaram por situações nada amigáveis.

“Minha prima ligou para o meu pai e pediu para eu não aparecer mais na casa dela. Meu pai disse que não tinha vergonha de mim e, se alguém devia ficar constrangido, era o pai dela, por deixá-la falar esse absurdo”, lembra Nina.

Decidida, Mariana acredita que as pessoas não conseguem enxergar a diversidade de situações que o mundo oferece. “As pessoas acham que todo mundo tem de ser como elas. Sinto que não querem conhecer o próximo.” Já para Tania Navarro-Swain, historiadora e autora do livro O que é lesbianismo?, a sexualidade é uma multiplicidade de práticas e a heterossexualidade criou uma norma histórica. “É uma instituição política que define limites. O que me interessa é ver a sexualidade como uma das práticas do humano e não centralizá-la. Ela é uma função como outra qualquer”, afirma Tania.

Durante o bate papo com as entrevistadas, Thammy, de 23 anos, filha da cantora Gretchen, virou assunto. Recentemente, a garota posou nua com a namorada para uma revista depois de mudar completamente de visual – adotou cabelo curto e trajes masculinos. A ousadia não fez sucesso entre as garotas. Ao contrário de Thammy, é fácil notar a feminilidade das quatro mulheres. Para elas, não é preciso ter trejeitos masculinos para impor respeito. Aliás, quando querem se relacionar, procuram meninas femininas.

Chiques, descoladas e vaidosas, elas raramente descem do salto alto. “Dia desses, fui numa balada heterossexual e fui cantada por vários homens. Achei divertido”, conta Nina. Essa feminilidade provoca os homens e extermina o estereótipo que algumas pessoas têm das lésbicas – de que todas se comportam como homens. “Adoro usar maquiagem e vestir peças curtíssimas. Meus amigos acham que sou perua”, brinca Mariana.

“Todo mundo fala que eu não tenho jeito de gay. Sou mulher e gosto de me vestir como mulher. Não vejo necessidade de me arrumar como homem para garantir o meu espaço”, reforça Roseli. Da mesma forma que na sociedade heterossexual, na qual existem as patricinhas, as modernas e as esportivas, Nina justifica as diferenças entre os gays. “Antigamente, as assumidas eram as mais masculinizadas. Hoje em dia, as mulheres femininas estão se assumindo e isso surpreende todo mundo, principalmente os homens.”

Cada um na sua

Assumir para si mesmo, de acordo com Nina, é a lição número um para se viver bem. Independentemente do que os pais, os amigos ou os colegas de trabalho vão achar, é importante se aceitar e não se marginalizar quanto à orientação. “Nunca vou dizer que todos os gays devem se assumir publicamente, pois cada um sabe da sua história e o que isso vai gerar”, diz Nina.

“Tenho vários amigos heterossexuais que não me olham e me julgam por ser lésbica. Acredito que tem a ver com a forma com que me coloco para a sociedade”, revela Graziela.

Os amigos heterossexuais das quatro mulheres parecem não se importar quanto à orientação sexual delas. Para eles, o que realmente interessa é a companhia. “Eles costumam se trocar na minha frente e não têm vergonha de eu ser gay”, conta Roseli. Segundo Mariana, no começo, os amigos “achavam divertido ter uma menina gay na turma”, depois, nem se importavam se ela se relacionava com homens ou mulheres. Mesmo assim, até hoje, surgem comentários equivocados – e a publicitária não perde a chance de consertá-los.

“As pessoas confundem orientação com opção. Elas imaginam que eu optei por ser gay. Eu nasci gay”, defende Mariana.

Essa é uma batalha que os homossexuais lutam para vencer. A explicação é simples: quando alguém diz que ser homossexual é uma opção, dá margem para dizer que, a qualquer momento, pode-se optar por não ser mais gay. “A pessoa pode nunca assumir a sua sexualidade e manter a fachada de heterossexual para o resto da vida, mas não significa que ela optou por isso”, justifica Nina. No entanto, a historiadora Tania não está interessada nesses meandros de tipologias e acredita que, quando alguém fala em orientação, “a pessoa caminha com a opção de desvio”.
Mesmo precisando de pequenos ajustes, como o citado por Mariana, o relacionamento entre as garotas lésbicas e seus amigos heterossexuais é extremamente saudável. Na maioria dos casos, as garotas levam seus colegas em danceterias GLS (espaços para gays, lésbicas e simpatizantes) e em eventos que apóiam a bandeira do arco-íris (símbolo gay). A Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (GLBT) é um bom exemplo que revela a quantidade de pessoas que simpatizam com a causa.
“Acho a festa da Parada maravilhosa, mas não gosto dos exageros. Mesmo assim, adoro me divertir com os amigos”, avisa Roseli. Mesmo reunindo mais de 2 milhões de participantes, sendo considerado um dois maiores eventos do gênero de todo o planeta, algumas pessoas não concordam com a proposta. “Não entendo o motivo de existir um dia gay. E o dia do heterossexual, qual é? Sou gay todos os dias”, afirma Graziela.
Regina Facchini, militante, antropóloga e vice-presidente da Associação da Parada GLBT, resolveu abraçar a causa depois de perceber que não podia ficar de braços cruzados e deixar as pessoas serem discriminadas gratuitamente. Trabalhando para os homossexuais há 11 anos, já ajudou a organizar seis Paradas e discorda quando as pessoas consideram o evento uma verdadeira festa. “Não acho que seja uma festa, não sou organizadora de festas. Me considero uma ativista, que organiza uma manifestação pública. Festa as pessoas pagam e vão para uma boate”, justifica.

Segundo a antropóloga, o evento tem uma forte função social. “Em 2006, foram mais de 100 Paradas espalhadas pelo Brasil. Com isso, conseguimos fazer pressão e um projeto contra a homofobia foi aprovado”, finaliza Regina. No ano que vem, o evento já tem data para ser realizado. Com o mote ‘Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia!’, o encontro será realizado no dia 10 de junho. O local ainda não está definido, mas, provavelmente, será na Avenida Paulista.

Os números não mentem

Recentemente, o Grupo Arco-Íris de Conscientização Homossexual (GAI), do Rio de Janeiro, divulgou dados da pesquisa de Cidadania e Sexualidade, encomendada ao Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), em que foram ouvidos mais de 2.000 entrevistados, em 26 Estados brasileiros, que revela dados sobre o comportamento do brasileiro em relação aos direitos homossexuais.

Segundo a pesquisa, 65% dos entrevistados declararam que os gays são muito discriminados e, por mais que pareça paradoxal, 63% alegaram jamais ter presenciado algum tipo de discriminação contra um gay.

Fonte: http://www.estadao.com.br/revistafeminina/noticias/2006/dez/04/195.htm

Publicado: 18 novembro, 2006 em educação sexual, ensino, Escolas Bullying, gênero, sexualidade

Não pergunte ao professor
17/11/2006

Faltam às instituições de ensino programas pedagógicos para lidar com a diversidade sexual

Este ano, o Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) publicou um levantamento que mostra que 92% da população brasileira defende o respeito ao direito de ser homossexual. Destes, 54% acreditam que a discriminação ao segmento GLBT deve ser criminalizada e 82% declaram que conviver com gays na escola não traz problemas de relacionamento.Porém, para a maioria das pessoas, falar sobre homossexualidade continua a ser um tabu.

A constituição social, religiosa e conservadora faz com que as conversas informais acerca de sexo não transgridam o preconceituoso senso comum. Isso aumenta a responsabilidade que os colégios já têm, que é trazer os debates à luz da ciência. Hoje em dia, ainda que timidamente, alguns trabalham com temas ligados à sexualidade; mesmo estes, no entanto, evitam discutir a homossexualidade.

Os professores e funcionários, despreparados, não sabem como agir ante o assunto e o ignoram, o que não é de forma alguma uma boa solução.

“O maior mal que a escola me fez foi a nulidade da abordagem da temática [homossexual]”, relata Tomas Mascarenhas, 20 anos.

“O silêncio de professores e da coordenação, que presenciavam eventualmente cenas de homofobia, sempre foi a resposta”, completa.

Outras vezes é ainda pior: o colégio reproduz o preconceito social, tornando-se um espelho da sociedade e não um espelho para a sociedade.
“Meus professores ridicularizavam a imagem do homossexual através de brincadeiras em sala de aula”, relembra Carlos Muniz, 23 anos.

“Como eu poderia me sentir confortável num lugar que tratava a homossexualidade com algo errado, engraçado?”, conclui.

Os impactos de um ensino omisso ou homofóbico são inúmeros e graves.

“A escola interfere fundamentalmente na formação do sujeito”, afirma a pedagoga Marília Mendes, mestra em Psicodidática pela Universidad Del País Vasco (Espanha), que faz palestras sobre a sexualidade humana.

Segundo ela, várias pesquisas apontam nos gays, como conseqüências de uma má abordagem da homossexualidade, uma baixa auto-estima, conflitos de identidade, isolamento social, agressividade, depressão e dificuldade na aprendizagem.

Bullying

O termo norte-americano é utilizado para definir a segregação a que alguns alunos são submetidos por outros.

“O bullying é caracterizado por um conjunto de ações por parte de um grupo que transforma indivíduos em motivo de chacota, humilhando-os e excluindo-os do meio social”, conceitua Marília.

Os alunos diminuem seus rendimentos no colégio, podem se tornar introspectivos, agressivos e, inclusive, cometer suicídio.

No caso dos gays, frequentemente os colégios fazem vistas grossas ao preconceito, ou são até agentes dele.

“Eu falava muito durante as aulas, e minha professora, pra me coagir, ficava ‘desmunhecando’ quando mandava eu ficar quieto”, conta U. P, 22 anos.

“O colégio me fez ter medo de ser gay. Eu via como os gays eram tratados por lá”, desabafa.

Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), afirma que o aluno que é vítima do bullying muitas vezes perde o interesse pelos estudos, aumentando o índice de evasão escolar.

“Pela violência e intolerância, o jovem não encontra apoio nos professores, na direção nem nos coleguinhas machinhos, e acaba saindo da escola, isso quando não é expulso”, denuncia.

Professores e funcionários homofóbicos podem ser acionados legalmente.

“A situação é de constrangimento, vexame, um crime contra a criança e ao adolescente, porque eles têm direito a um tratamento humanitário em relação a sua sexualidade, que é um direito fundamental”, explica Cerqueira.

“Com esse principio e com o uso do Estatuto da Criança e do Adolescente, cadeia neles [nos homofóbicos]”.

Despreparo

A omissão das instituições de ensino pode se originar da falta de know-how para lidarem com o assunto. As dúvidas sobre homossexualidade sempre surgem entre os alunos e não são esclarecidas corretamente.

“Uma vez uma funcionária do setor psicológico, ao falarmos de homossexualidade, me disse: ‘Mas você é um menino tão bonito, poderia ter tantas namoradas… Pára com isso!’”, relembra Marcelo Rocha, 17 anos.

Apesar de a Orientação Sexual constar nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), pouco se fez até hoje para garantir aos profissionais da Educação a formação necessária.

É difícil para eles trabalharem com desenvoltura um tema para o qual não foram formados ou não se sentem seguros. “É importante que nos cursos de formação de professores estes profissionais tenham acesso a disciplinas que discutam a Sexualidade, para que possam tratar do tema adequadamente com seus alunos”, afirma Marília Mendes.

Rita Moreira, socióloga, especialista em Educação pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB) e membro do Grupo de Estudos em Filosofia, Gênero e Educação da Universidade Federal da Bahia (GEFIGE-UFBA) diz que a sexualidade faz parte da condição humana e precisa ser abordada com naturalidade.

Segundo ela, na Bahia existem poucos, mas importantes cursos para os professores interessados. “Temos hoje o Programa de Educação Sexual (PROEDSEX) na UFBA, do Instituto de Biologia”, diz. “Além disso, o Instituto está promovendo curso de extensão sobre o ensino de Ciências e Gênero, com enfoque na sexualidade”. Rita cita ainda o Núcleo de Estudos Interdisciplinares Sobre a Mulher (NEIM) e os debates que o GEFIGE promove sobre Gênero, Sexualidade e Educação, na Faculdade de Educação (FACED).

“Alguns desses são gratuitos e de ampla divulgação na internet e nos Institutos onde acontecem”, diz.Este ano, o Governo Federal lançou o programa “Educando para a diversidade: como discutir homossexualidade na escola”, fruto de uma ação conjunta do projeto “Brasil sem Homofobia”, que visa realizar ações de combate à homofobia em todos os ministérios.

O programa só foi implantado em Curitiba e São Paulo. “As verbas são poucas, mas esse ano nós iremos aplicá-lo aqui”, promete Marcelo Cerqueira. “Mas já temos [no GGB] muita bibliografia e material especial para professores que queiram fazer esse tipo de trabalho na sua escola”, acrescenta.

Normalidade

Segundo Antônio Neto, psicanalista formado pela Escola Brasileira de Psicanálise, a psicanálise explica a diversidade sexual através de uma antiga lenda. A lenda conta que a humanidade era uma esfera colossal, unida e maciça. Até que os deuses, brigando entre si, com suas espadas cortaram a esfera em inúmeros pedaços; cada fragmento originou uma pessoa. “E cada um busca pela parte que perdeu, que o completará; e ela tanto pode ser um homem como uma mulher”, finaliza o psicanalista.

Há algum tempo já é consenso no meio científico que a homossexualidade é algo natural. Em 1973, ela saiu da lista d’O Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais (DSM).

Em 1980, deixou também de ser considerada doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Contudo, muitas coisas complicam a auto-aceitação. “Quando me descobri [gay], não conseguia me entender, meu mundo caiu”, desabafa L. V, 21 anos.

“Entrei em depressão e só consegui sair quando conheci amigos gays que me fizeram perceber o quanto ser gay é ser normal, é ser humano”. Para os gays que se “descobrem” durante o período escolar, o forte preconceito social reproduzido pelos colegas é uma das maiores barreiras. “Sabemos como é difícil ser considerado ‘diferente’ numa sociedade neoliberal, que valoriza padrões e modelos de ‘normalidade’”, pondera Rita Moreira.

Além disso, normalmente o jovem não tem respostas para suas dúvidas. “Não existe em escola alguma um serviço de orientação para jovens homossexuais”, reclama o presidente do GGB. “Não existem referências”.

Antônio Neto considera de enorme importância que se discuta a homossexualidade nos colégios. “É necessário mostrar ao sujeito do novo milênio que tanto faz ser hétero ou homossexual”, afirma. “Ambas as orientações têm o mesmo grau de normalidade”.E a sociedade, a passos lentos, parece estar percebendo isso, como mostram as estatísticas do IBPS. Agora, cabe às instituições de ensino fazerem sua parte, educando as crianças e adolescentes para que o mundo se torne um lugar mais justo.

Que, independente de quaisquer características que nos tornem diferentes, a condição humana seja sempre motivo suficiente para garantir o respeito a todos.*Ronney Argôlo é estudante de jornalismo da Faculdade Social da Bahia (FSBA).

Fonte: Mix Brasil

Publicado: 26 setembro, 2006 em educação sexual, gênero

COISAS DE GÊNERO
http://coisasdegenero.blogspot.com/

Porque este espaço foi criado?

Há um grande número de pessoas, profissionais de várias áreas que tem se preocupado em debater questões relativas a GÊNERO.Escrever sobre gênero vai muito além do quê estar preso ao feminino e masculino, papéis de gênero, identidades de gênero e, por aí vai.

Também está além do que está circunscrito pelas academias, pel@s culturalistas, essencialistas, e outras categorias.É isso e muito mais!É neste sentido que convido você, que tem desejo em escrever sobre este assunto a participar deste Blog sobre Gênero, estudos, livros, artigos, filosofias, pesquisas em andamento, encontros, palestras, etc.

Convide suas amigas e amigos a visitar: http://coisasdegenero.blogspot.com/

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Se quiser me conhecer mais, antes, leia meus dois sites em http://www.warken.floripa.com.br/ e UFSC
Especialista em Educação Sexual – UDESC
Mestre em Educação e Cultura – UDESC