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Publicado: 17 outubro, 2006 em agências, gays, hospedagem, hotéis, lésbicas, roteiros, viagem, viagens

14 Dicas de viagem para gays, lésbicas e simpatizantes (17/10/2006)
por Mitsi Goulias
Fonte: Revista Próxima Viagem

Existem no Brasil agências de turismo que organizam viagens especialmente para o público GLS?

Apesar de o número de homossexuais brasileiros ultrapassar 16 milhões de pessoas, o segmento GLS só começou a ser explorado há pouco mais de cinco anos.

Quem investiu no setor não se arrepende: como não têm gastos com filhos, os gays podem viajar em qualquer época e não se importam de desembolsar um valor maior em troca de um atendimento personalizado. Dinheiro, aliás, que é chamado informalmente de pink money.

Uma pesquisa junto às empresas especializadas constatou que o segmento cresce 100% ao ano. Nos Estados Unidos, esse nicho de mercado movimenta anualmente 50 bilhões de dólares.

Há até uma associação com sede na Flórida reunindo as empresas que atuam no setor. A International Gay and Lesbian Travel Association (www.iglta.org) tem 1200 membros no mundo todo, e opera com gigantes do porte da American Airlines, British Airways, Carlson Wagonlit e Holiday Inn. O Brasil comparece com a rede de hotéis Othon e as agências The Clube e Ipacom, entre outros. Uma das principais operadoras de turismo gay no país é a Álibi Turismo, (Tel. 11/ 3663-0075, www.alibi.com.br), que trabalha só com turistas GLS, enquanto a maioria das agências cria um departamento para atender esse público. O site www.guiagaybrasil.com.br relaciona as empresas do ramo.

Quais são os lugares mais procurados por esses turistas no Brasil?

As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro são consideradas as capitais gays da América do Sul – o que quer dizer que, além de oferecer várias opções de lazer, o preconceito contra a comunidade GLS é bem menor.

Recife vem se destacando como um dos principais destinos de homossexuais no Brasil. Eles se reúnem principalmente na Praia de Calhetas, Boa Viagem e até Porto de Galinhas, a 100 quilômetros da capital.

Salvador, Fortaleza e Florianópolis também são encaradas como lugares gay-friendly, porque possuem uma comunidade gay atuante e uma vida noturna agitada.

Nos últimos anos, Paraty, Angra dos Reis e Búzios, no Rio de Janeiro, estão conquistando uma boa parcela do público homossexual.

Quais as diferenças entre os pacotes dirigidos para o sexo feminino e para o masculino?

Seguindo uma tendência mundial do turismo de explorar nichos de mercado, as viagens GLS também estão subdivididas em roteiros só para homens, só para mulheres e mistos.

Os rapazes preferem programas mais urbanos, com boas opções em vida noturna. Costumam viajar em grupo de amigos (ou com outros casais) e querem que os pacotes incluam serviço de guia e assistência no destino da viagem.

Já as mulheres apreciam programas ecológicos e gostam de ficar em hotéis mais rústicos, desde que aconchegantes. Elas viajam basicamente em casal e, quando entram numa agência, já têm o roteiro definido.

A Chapada Diamantina é uma das viagens mais procuradas pelo público feminino, enquanto Fortaleza atrai os turistas masculinos. Entre os lugares que agradam tanto a eles quanto a elas está Paraty.

Há hóteis frequentados só pela comunidade GLS?

Cada vez mais, gays e lésbicas procuram ficar em locais onde não serão observados com curiosidade pelos outros hóspedes e nem terão de passar pelo constrangimento de pedir uma cama de casal para dois homens ou duas mulheres.

No exterior, esses estabelecimentos são bem comuns – em Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, por exemplo, existem cerca de trinta hotéis direcionados ao mercado GLS.

Há lugares que se especializaram ainda mais e aceitam só gays ou só lésbicas como hóspedes. É o caso do Timberfell Lodge (www.timberfell.com), no Estado americano do Tennessee, voltado apenas para eles, e do Queen of Hearts (www.queenofheartsps.com), em Palm Springs, Califórnia, só para elas.

O site www.gayplaces2stay.com relaciona hotéis no mundo todo, entre locais exclusivos para o público gay ou com um perfil mais tolerante.

No Brasil, o único hotel do gênero é o recém-inaugurado Absolut Resort, na Praia da Lagoinha, a 50 minutos de Fortaleza, Ceará. Numa área de 8700 metros há 32 bangalôs, piscina, sauna, academia de ginástica, restaurante, boate e área para shows. Mais informações no site www.gay.com relacionou os 10 destinos mais românticos para casais GLS – e onde eles não enfrentam discriminação.

Nos Estados Unidos, foram votados Havaí, Vermont, Santa Fe e Provincetown. Na Europa: Paris e Praga. Também tiveram boa cotação Montreal, no Canadá; St. Barts, no Caribe; Cidade do Cabo, na África do Sul, e Puerto Vallarta, no México. Em quase todos os lugares, os enclaves gays das cidades podem ser identificados por um arco-íris estampado na porta.

Há sites de turismo voltados para gays e lésbicas?

Alguns dos melhores sites são as versões on-line das revistas estrangeiras de turismo gay, que além de reportagens sobre diversos destinos, apresentam textos com dicas para aproveitar ao máximo a viagem. É o caso da Our World (www.ourworldpublishing.com), da Out & About (www.outandabout.com), e da Passport Magazine (www.passport.net), todos em inglês.

Outros bons endereços são www.odyusa.com, www.planetout.com, www.gay.com e www.gayguide.net.

No Brasil, o principal site com informações de turismo direcionadas especialmente para a comunidade GLS é o www.guiagaybrasil.com.br.

Existem cruzeiros exclusivos para homens ou mulheres?

Sim, e foram justamente esses roteiros que deram o impulso inicial ao segmento de turismo GLS. A primeira viagem desse tipo foi feita em 1986, pela empresa Olivia Cruises (www.oliviatravel.com), que fretou um navio só para mulheres, num programa de quatro noites pelas Bahamas.

Passados dezesseis anos, a operadora já organizou mais de cinqüenta excursões pelo mundo e atendeu cerca de 30000 clientes. Nesses passeios, tudo é desenvolvido sob medida – shows, músicos, comediantes, DJs e funcionários são recrutados para atender o público feminino. Por isso, esses cruzeiros são um pouco mais caros do que os convencionais. A RSVP (www.rsvp.net) e a Atlantis (www.atlantisevents.com) atuam da mesma forma, mas são procuradas principalmente pelos homens. Essas companhias lotam navios da Norwegian Cruise Lines, Royal Caribbean e Carnival com até 3000 passageiros. Elas também reservam hotéis e resorts inteiros com o mesmo objetivo.

No Brasil, os cruzeiros temáticos ainda não contemplam a comunidade gay, mas os roteiros organizados pelas empresas americanas são vendidos nas agências que atendem o público GLS.

As estações de esqui promovem semanas voltadas para o público gay?

Sim, e esses eventos atraem mais de 5000 pessoas. Tudo começou há 25 anos, quando um grupo de esquiadores gays e lésbicas inaugurou a tradição de se reunir uma vez por ano em Aspen, nos Estados Unidos. Com o tempo o encontro de amigos foi se tornando mais profissional e hoje é organizado por entidades beneficentes.

O evento acontece em janeiro e durante uma semana a estação é tomada por festas, jantares, shows e, é claro, competições de esqui e snowboarding. Você encontra mais informações no site www.gayskiweek.com. Outras estações que também promovem eventos desse tipo são Park City, em Utah e Stowe, em Vermont, ambas nos Estados Unidos; Katschberg, na Áustria; Whistler, no Canadá; Club Med Les Menuires, na França.

Os códigos de conduta são os mesmos em todo lugar?

Na década de 70 e início dos anos 80, os gays (principalmente dos Estados Unidos e da Alemanha) usavam lenços nos bolsos traseiros das calças compridas para deixar evidentes suas intenções sexuais.

Pela cor do tecido exibido, sabia-se o que cada pessoa procurava em um parceiro. Esses códigos eram populares numa época em que a repressão sexual era bem maior do que nos dias de hoje.

Em alguns países onde a homossexualidade ainda é tabu, como Cuba, esses sinais até podem ser vistos, mas é muito mais comum as pessoas se reconhecerem pela maneira de se vestir e de agir.

Os gays normalmente usam roupas de grife (as preferidas são Armani e Gucci) e adotam um estilo mais arrojado.

Outro código universal da comunidade é que os bares e restaurantes gays sempre se localizam no centro das cidades ou nos bairros descolados. Isso começou porque, no passado, como as pessoas não tinham onde se encontrar em segurança, convencionou-se ir sempre para o Centro.

E os bairros mais modernos também conquistaram espaço porque reúnem um grande número de lojas sofisticadas, galerias de arte e casas noturnas badaladas, lugares que atraem um público alternativo e liberal. É assim no bairro dos Jardins, em São Paulo; em Ipanema, no Rio de Janeiro; e no SoHo, em Nova York.

Existem guias especializados com dicas de turismo GLS?

Nos Estados Unidos e em grande parte da Europa, onde casais gays sofrem menos discriminação, a oferta de guias é bem maior. Por lá, são muito populares os livros da editora Damron, com vários títulos de turismo voltados para gays e lésbicas. Damron Men’s Travel Guide, o carro-chefe, existe desde 1964, e relaciona mais de 100000 opções de hotéis, bares, restaurantes e passeios nos Estados Unidos e em algumas cidades da Europa.

Há uma versão feminina, além de guias só com dicas de acomodações e outro com mapas de 125 cidades americanas, canadenses e européias. Outro favorito do público GLS é o Spartacus International Gay Guide, que já está na 31ª edição. Considerado um dos mais completos, contém 25000 endereços e dicas nos EUA e em muitos outros lugares. Outra opção é o Odysseus International Gay Travel Planner, com informações sobre 116 países.

Tradicionais editoras de guias de viagem também investiram no filão. É o caso do Frommer’s Gay & Lesbian Europe, sem versão para o português e o Fodor’s Gay USA, já traduzido e vendido pela Júlio Louzada Publicações.

A Maison de La France, órgão oficial de turismo da França, editou o guia Gay Friendly France, com 23 páginas. A publicação é escrita em inglês e os exemplares, gratuitos, podem ser pedidos no escritório brasileiro, pelo telefone (11) 3284-1633.

No Brasil ainda são poucos os guias de turismo. Um dos pioneiros é o Guia Brasil GLS, de Franco Reinaudo, publicado pela Summus Editorial. Com informações também em inglês e espanhol, traz mais de 500 endereços, em grandes capitais e cidades menores. Custa 18 reais e os pedidos podem ser feitos pela internet, no site www.edgls.com.br .

Recém-lançado, o livro PE-Gay, de Alessandro Monte, apresenta bares, boates, restaurantes e outras atrações do circuito gay de Pernambuco. A distribuição é gratuita e ele está disponível nos principais pontos turísticos.

Como funcionam os Gay Days nos parques temáticos?

O que começou em 1991 como um dia inteiro dedicado ao público gay nos parques da Disney, em Orlando, evoluiu para uma semana inteira de brincadeiras. O evento ganhou o nome de Gay Day, com início no primeiro sábado de junho, e se estende por outros parques da Flórida.

A idéia foi copiada e hoje o Gay Day se realiza em dezenas de lugares, como nos Six Flags de Chicago, Denver e Atlanta. No exterior, a Disneylândia de Tóquio (no Japão) e o Paramount Wonderland de Toronto (no Canadá) promovem eventos similares.

A programação está no site www.gayday.com. Inspirado no Gay Day da Disney, o Hopi Hari, parque de diversões perto de São Paulo, organizou em junho uma festa do gênero, com grande sucesso.

Que cuidados é preciso tomar em países hostis aos homossexuais?

Em países muçulmanos mais radicais, o homossexualismo é considerado crime. Trocar carícias em público no Egito com uma pessoa do mesmo sexo pode dar cadeia. Já em países asiáticos como a China, é comum homens andarem de mãos dadas, sem qualquer conotação sexual. Por isso, convém pesquisar os hábitos culturais antes de viajar, usando a internet ou guias de turismo. Se os costumes são rígidos, evitará riscos quem adaptar o comportamento aos padrões locais.

As grandes cidades sempre têm publicações gays (muitas delas distribuídas nos hotéis) que relacionam bares e restaurantes voltados à turma GLS. Mas fazer contato com os homossexuais locais ainda é a melhor maneira de conseguir dicas espertas.

Casais do mesmo sexo têm benefícios iguais aos hetero?

Pela política adotada pelas companhias aéreas American Airlines e U.S. Airways, que fazem vôos domésticos nos Estados Unidos, benefícios como passagens descontadas do plano de milhagem e acesso à sala vip nos aeroportos podem ser usados pelo parceiro do cliente titular, independentemente do sexo. Ele também tem direito a incorporar as milhas acumuladas, em caso de morte do titular.

Na rede Marriott, os pacotes de lua-de-mel também podem ser usados por casais homossexuais. Um dos hotéis do grupo, o Marriot Frenchman´s Reef and Morning Star Beach Resort (www.offshoreresorts.com), nas Ilhas Virgens, no Caribe, realiza celebrações de casamento – por enquanto, um ato simbólico sem valor judicial. Benefícios como esses são mais comuns nos Estados Unidos, onde a comunidade gay é muito maior do que nos outros países e, por estar organizada em associações, tem mais poder de negociação com as empresas.

É verdade que nos Estados Unidos há até rodeios gays?

Eles existem mesmo, mas a diferença em relação aos eventos convencionais é que todas as atividades foram adaptadas para evitar maus-tratos aos animais e diminuir o risco de acidentes com os competidores.

Nos Estados Unidos, onde os rodeios são muito populares, foi criada em 1985 a International Gay Rodeo Association, IGRA, entidade que reúne mais de 10000 pessoas de vinte associações regionais espalhadas pelo país e pelo Canadá. Além de regularizar a prática do esporte, a IGRA (www.igra.com) coordena campeonatos em Estados como Arizona, Missouri e Texas e promove uma grande final anual entre competidores da América do Norte, em que os prêmios incluem cruzeiros marítimos gays de uma das maiores operadoras americanas do ramo, a RSVP. No ano passado, o evento atraiu, em quatro dias, mais de 6000 pessoas em Palm Springs, Califórnia.

Fonte: http://www.sobreelas.com.br/
acontece.asp?dismode=article&artid=2457