Além do arco-íris

Publicado: 31 julho, 2007 em Uncategorized

Além do arco-íris

A Tarde

Terça-feira, 31 de julho de 2007
 
PEDRO FERNANDES
FORTALEZA
 
Fortaleza é gay. É assim que tem sido desde o dia 27 e é assim que será até o encerramento, hoje do I For Rainbow – Festival de Cinema da Diversidade Sexual. Gay, mas também lésbica, bissexual, travesti e transgênero. A capital cearense, que tem os maiores índices de homofobia nas escolas, segundo a Unesco, viu acontecer em quatro dias uma maratona de curtas e médias metragens sobre a temática GLBT.
São 63 produções divididas em uma mostra competitiva, todas as noites no Cine São Luiz (um cinema antigo e luxuoso, estilo belle époque, no centro de Fortaleza), além de uma mostra internacional e outra nacional.
 
As duas são exibidas no Cine Benjamim Abraão, no campus da Universidade Federal do Ceará, que é parceira da ONG Cenapop, organizadora do evento.
Na frente do Cine São Luiz, na Praça do Ferreira, foi montada uma tenda arcoiacute;ris com discotecagem de música brasileira e comidas típicas do Ceará (o vatapá deles quase não leva dendê).
 
É lá que o burburinho pré e pós apresentações acontece. Diretores estreantes e experientes circulam, trocam informações e telefones e ouvem elogios, verdadeiros e falsos. Alguns tentam ouvir as nem tão discretas confabulações dos jurados e curiosos que passam e perguntam o que está acontecendo. Casais hetero e gays se espalham pelos bancos de madeira da praça.
 
Dentro do cinema, quando a luz se apaga, é como em qualquer sala escura. A diferença é que o público é essencialmente gay ou simpatizante da causa.
Quem está acompanhado se aconchega um pouco mais. Alguns fazem silêncio e outros atendem o celular no meio da sessão. Quando um diretor sobe no palco para falar do seu filme, além dos aplausos, corre o risco de escutar um bem humorado “Arrasa, bicha!”.
A escolha dos filmes nas três mostras do festival foi bem irregular.
 
O que chama mais a atenção na mostra internacional é o fato de quase todas as produções escolhidas pela curadora Clarissa González serem espanholas.
Inclusive o seu próprio filme, Mi racle, documentário que fala sobre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Espanha.
 
Na mostra nacional, As Filhas da Chiquita merece destaque. O documentário de Priscilla Brasil conta com precisão e delicadeza as histórias de drag queens e travestis que participam da maior festa profana paralela ao Círio de Nazeré, em Belém do Pará. A festa que expressa devoção misturada com bom humor escolhe há 28 anos a Chiquita do Ano. Ela não precisa ser bonita, montada ou produzida. Basta ter carisma e agradar ao público. O filme não soa invasivo nem apelativo, embora consiga captar momentos de bastante intimidade.
 
As fitas que concorrem ao Prêmio Artur Guedes (cineasta cearense morto no ano passado), na mostra competitiva, também deixaram um pouco a desejar. As doses de militância em alguns momentos são maiores do que as doses de cinema, especialmente do ponto de vista técnico. O documentário B asta Um Dia, de Vagner de Almeida, por exemplo, que fala sobre o assassinato de travestis na Rodovia Presidente Dutra, se perde numa denúncia sem conseguir articular os discursos e as imagens em uma montagem coerente e minimamente original.
 
Já as ficções melhoram a qualidade do material, mas muitas carecem ora de um som melhor, ora de roteiro mais enxuto. Falhas perdoáveis, pois a maioria dos organizadores é ainda estudante.
Entre as boas produções, o destaque é para A Carta, de Rafael Saar, sobre a paixão de dois adolescentes e os silêncios familiares impeditivos.
 
por: : Alexandra Martins via e-mail para a Listagls do Glssite.Net
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