Publicado: 29 junho, 2007 em Uncategorized

Solitude ou Solidão

‘’Solidão a dois de dia,
faz calor depois faz frio’’
(Cazuza)

O nosso editor, Roberto, colocou ‘macacos no sótão’, isto é, fez-me pensar por semanas sobre a seguinte proposição ‘ se dou conta de tudo sozinho, porque casar-me?’ No fundo, já era uma questão que me inquietava, sua propositura só fez fermentar toda a massa de reflexões que vinha fazendo a respeito.

A verdade é que passamos a vida sonhando com o casamento, com a família feliz de fotografia. Passamos a vida aprendendo que casamento é para a vida toda, até que ‘a morte os separe’, e mais que isso, ‘na saúde e na doença’. Imaginamos que aquele contrato, que ainda hoje é negado a alguns em nosso país, garante fidelidade, assistência mútua, respeito e consideração recíprocos – como se contratos fossem realmente capazes de garantir tais posturas.

Calcamos nosso modelo de felicidade nas idéias já postas de casamento, nossas esperanças ficam atreladas ao apoio recíproco. Ocorre que, por outro lado, quando iniciamos uma relação, depositamos no outro a confiança de que num momento de incerteza, de dúvida, de necessidade teremos toda assistência, respeito e consideração, todo o apoio que nos garantiu o ‘na pobreza e na riqueza’, só que vira-e-mexe, descobrimos por meio da experiência vivida que nem sempre é assim. Freqüentemente nos vemos sentados no meio fio, pneu furado, atrasados para uma reunião importante, tendo de contar apenas – e tão somente – com aquela voz metálica do outro lado da linha, que responde pelo serviço de atendimento da seguradora de veículos.

De experiência em experiência vamos construindo nossa auto-suficiência, a tal ponto que, num dado momento, descobrimos a sobrevivência às intempéries da vida – com ou sem parceiro. Percebemos, lá pelas tantas, que somos capazes de solucionar tudo, e se não conseguimos, tocamos em frente, cabeça erguida, afinal. Aí percebemos nossa autodeterminação. Sim, não se espantem, somos capazes de nos autogerir, de gerir nossos problemas cotidianos com maestria.

Neste momento vem a pergunta de nosso editor, então para quê casar-se? Pode ser para não sentir-se só, mas a solidão a dois é mais doída que a solitude. E, então, talvez, só talvez, seja para compartilhar energia, afeto, sorriso. Talvez, e de novo, só talvez, não seja necessário casar-se para compartilhar tais coisas. E quiçá a palavra mágica seja namorar, como já dizia Drumond.

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