Publicado: 29 junho, 2007 em Uncategorized

Amigos,

O texto desta semana soa algo niilista, algo mesmo pessimista. Talvez mereça, e acho que merece, outras reflexões. Estou certa de que receberei comentários discordantes, e quase torço para recebê-los, para seguir refletindo sobre o tema.

Leiam e aproveitem. Discordem, polemizem e sigamos interagindo.

Maria Cláudia Cabral

CASAMENTO
”Pois sem você, meu tesão
Não sei o que eu vou ser
Agora preste atenção
Quero casar com você…”
(Tetê Spindola)

Aprendemos desde sempre que casamento é para a vida toda, é verdade que com as mudanças do novo século, para sempre já não é todo dia. Além disso, descobrimos com Einstein que tempo é relativo, logo o ‘para sempre’ pode durar alguns poucos meses ou vários anos. Tudo é negociável. Aprendemos ainda, de tanto ouvir os votos dos noivos na igreja, que casamento é parceria na ”alegria e na tristeza, na saúde e na doença”. No momento do compromisso civil, aprendemos que são deveres do casamento mútua assistência, fidelidade recíproca, respeito e consideração mútuos.

Fico imaginando se a lei é mesmo capaz de obrigar um indivíduo a ter respeito por outro, mas esse não é o objeto deste texto. A verdade é que a reflexão sobre o casamento veio a partir de pergunta que me foi dirigida outro dia: ‘se alguém resolve tudo sozinho, porque iria querer se casar?’ Fiquei fermentando essa idéia em minha mente por semanas. Por que casar-se nos dias de hoje?

Há quem diga que é a paixão que une os casais, mas paixão não garante nem respeito, nem consideração, muito menos fidelidade. Paixão garante, certamente, encantamento, frio na barriga, mãos suadas, brilho nos olhos e muito prazer – ou não. O capítulo da assistência mútua, consideração, respeito e fidelidade é outro.

Fidelidade, por exemplo, é tema que merece texto próprio. Respeito dá pano para manga. Consideração é um conceito amplo e por isto mesmo, vou simplificar. Sabe quando você está atrasada para aquela reunião importante, esquece a chave dentro do carro, a bateria do celular acaba e o seu cachorro passa mal? Então, é exatamente nessas horas que mais se precisa da manifestão inequívoca da tal consideração e da tal de assistência, que não necessariamente é financeira, como faz crer a lei.

Ocorre que, nestes momentos fatídicos, não se consegue falar com o companheiro em questão, ou ele também tem uma reunião importantíssima, ou ainda – o que é mais grave – está almoçando com os amigos e não pode interromper para lhe estender a mão. Depois de passar por esta experiência uma, duas, três vezes ou dúzias delas, resta claro que, hoje, é cada um por si e Deus por todos.

Muito bem, se é cada um por si e Deus por todos – ou contra todos – se nos momentos de maior sensibilidade e aperreio, virar-se sozinha for a solução, realmente a pergunta procede: para quê casamento? Sigamos, sigamos, cada um por si e Ele por todos, sigamos nos encontrando nos bons momentos – ou até – nas conversas profundas da madrugada. Não esperemos ‘na saúde e na doença’, porque na hora que a rotina estiver prestes a explodir, creia, se não for a criatividade e uma mãozinha do Lá de Cima, ela vai explodir mesmo e, de repente, estar sentada no meio fio, olhando para o infinito, será a cena final do capítulo.

” …e você, por que está sozinha? Imagino que por opção.” (F. T., Chef de cuisine um dia desses)
” Antes só que mal acompanhada” (as sábias avós, sempre).
Maria Cláudia Cabral
Respeite os direitos do autor. Se for divulgar, dê crédito à autora.

É editora do Blog http://www.arcamundo.blogspot.com/. Visite-o

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