29 06 2007
Solitude ou Solidão

‘’Solidão a dois de dia,
faz calor depois faz frio’’
(Cazuza)

O nosso editor, Roberto, colocou ‘macacos no sótão’, isto é, fez-me pensar por semanas sobre a seguinte proposição ‘ se dou conta de tudo sozinho, porque casar-me?’ No fundo, já era uma questão que me inquietava, sua propositura só fez fermentar toda a massa de reflexões que vinha fazendo a respeito.

A verdade é que passamos a vida sonhando com o casamento, com a família feliz de fotografia. Passamos a vida aprendendo que casamento é para a vida toda, até que ‘a morte os separe’, e mais que isso, ‘na saúde e na doença’. Imaginamos que aquele contrato, que ainda hoje é negado a alguns em nosso país, garante fidelidade, assistência mútua, respeito e consideração recíprocos – como se contratos fossem realmente capazes de garantir tais posturas.

Calcamos nosso modelo de felicidade nas idéias já postas de casamento, nossas esperanças ficam atreladas ao apoio recíproco. Ocorre que, por outro lado, quando iniciamos uma relação, depositamos no outro a confiança de que num momento de incerteza, de dúvida, de necessidade teremos toda assistência, respeito e consideração, todo o apoio que nos garantiu o ‘na pobreza e na riqueza’, só que vira-e-mexe, descobrimos por meio da experiência vivida que nem sempre é assim. Freqüentemente nos vemos sentados no meio fio, pneu furado, atrasados para uma reunião importante, tendo de contar apenas – e tão somente – com aquela voz metálica do outro lado da linha, que responde pelo serviço de atendimento da seguradora de veículos.

De experiência em experiência vamos construindo nossa auto-suficiência, a tal ponto que, num dado momento, descobrimos a sobrevivência às intempéries da vida – com ou sem parceiro. Percebemos, lá pelas tantas, que somos capazes de solucionar tudo, e se não conseguimos, tocamos em frente, cabeça erguida, afinal. Aí percebemos nossa autodeterminação. Sim, não se espantem, somos capazes de nos autogerir, de gerir nossos problemas cotidianos com maestria.

Neste momento vem a pergunta de nosso editor, então para quê casar-se? Pode ser para não sentir-se só, mas a solidão a dois é mais doída que a solitude. E, então, talvez, só talvez, seja para compartilhar energia, afeto, sorriso. Talvez, e de novo, só talvez, não seja necessário casar-se para compartilhar tais coisas. E quiçá a palavra mágica seja namorar, como já dizia Drumond.





29 06 2007

Amigos,

O texto desta semana soa algo niilista, algo mesmo pessimista. Talvez mereça, e acho que merece, outras reflexões. Estou certa de que receberei comentários discordantes, e quase torço para recebê-los, para seguir refletindo sobre o tema.

Leiam e aproveitem. Discordem, polemizem e sigamos interagindo.

Maria Cláudia Cabral

CASAMENTO
”Pois sem você, meu tesão
Não sei o que eu vou ser
Agora preste atenção
Quero casar com você…”
(Tetê Spindola)

Aprendemos desde sempre que casamento é para a vida toda, é verdade que com as mudanças do novo século, para sempre já não é todo dia. Além disso, descobrimos com Einstein que tempo é relativo, logo o ‘para sempre’ pode durar alguns poucos meses ou vários anos. Tudo é negociável. Aprendemos ainda, de tanto ouvir os votos dos noivos na igreja, que casamento é parceria na ”alegria e na tristeza, na saúde e na doença”. No momento do compromisso civil, aprendemos que são deveres do casamento mútua assistência, fidelidade recíproca, respeito e consideração mútuos.

Fico imaginando se a lei é mesmo capaz de obrigar um indivíduo a ter respeito por outro, mas esse não é o objeto deste texto. A verdade é que a reflexão sobre o casamento veio a partir de pergunta que me foi dirigida outro dia: ’se alguém resolve tudo sozinho, porque iria querer se casar?’ Fiquei fermentando essa idéia em minha mente por semanas. Por que casar-se nos dias de hoje?

Há quem diga que é a paixão que une os casais, mas paixão não garante nem respeito, nem consideração, muito menos fidelidade. Paixão garante, certamente, encantamento, frio na barriga, mãos suadas, brilho nos olhos e muito prazer – ou não. O capítulo da assistência mútua, consideração, respeito e fidelidade é outro.

Fidelidade, por exemplo, é tema que merece texto próprio. Respeito dá pano para manga. Consideração é um conceito amplo e por isto mesmo, vou simplificar. Sabe quando você está atrasada para aquela reunião importante, esquece a chave dentro do carro, a bateria do celular acaba e o seu cachorro passa mal? Então, é exatamente nessas horas que mais se precisa da manifestão inequívoca da tal consideração e da tal de assistência, que não necessariamente é financeira, como faz crer a lei.

Ocorre que, nestes momentos fatídicos, não se consegue falar com o companheiro em questão, ou ele também tem uma reunião importantíssima, ou ainda – o que é mais grave – está almoçando com os amigos e não pode interromper para lhe estender a mão. Depois de passar por esta experiência uma, duas, três vezes ou dúzias delas, resta claro que, hoje, é cada um por si e Deus por todos.

Muito bem, se é cada um por si e Deus por todos – ou contra todos – se nos momentos de maior sensibilidade e aperreio, virar-se sozinha for a solução, realmente a pergunta procede: para quê casamento? Sigamos, sigamos, cada um por si e Ele por todos, sigamos nos encontrando nos bons momentos – ou até – nas conversas profundas da madrugada. Não esperemos ‘na saúde e na doença’, porque na hora que a rotina estiver prestes a explodir, creia, se não for a criatividade e uma mãozinha do Lá de Cima, ela vai explodir mesmo e, de repente, estar sentada no meio fio, olhando para o infinito, será a cena final do capítulo.

” …e você, por que está sozinha? Imagino que por opção.” (F. T., Chef de cuisine um dia desses)
” Antes só que mal acompanhada” (as sábias avós, sempre).
Maria Cláudia Cabral
Respeite os direitos do autor. Se for divulgar, dê crédito à autora.

É editora do Blog http://www.arcamundo.blogspot.com/. Visite-o





28 06 2007

O DIA DA MARMOTA


Passei estes dias pensando no que iria escrever aqui sobre o dia 28 de junho, dia internacional GLBT, ou como chamam algumas, dia do Orgulho Gay.

Sabe quando têm aqueles momentos que você realmente não tem criatividade alguma, a palavra certa não aparece, o contexto não é arranjado, os substantivos são outros e os adjetivos mudaram muito? Pois, bem!

Desde ontém eu vivo algo parecido com aquele filme denominado “O Dia da Marmota”, em que tudo se repete a cada vez que o personagem central se acorda pela manhã. É sempre o mesmo dia.

Mas isso não é verdade.

Cheguei à conclusão que temos muito a comemorar, como se o dia 28 fosse um dia de fazer a contabilidade social do ano.

Para nós, GLBT´s, o ano tem 365 dias 28 de junho. Porque todos os dias temos algo a comemorar. Desde a própria existência, até a possibilidade de ver um Projeto de Lei aprovado, como o 122/06.

Cada vez mais, mais homofóbicos aparecem. Assim como cada vez mais, gays saem do armário e, cada vez mais cedo.

LGBT´s com mais idade têm dificuldades em lidar com isso. O mêdo é uma coisa complicada de lidar numa sociedade cheia de exemplos de violência de um tipo contra os outros.

Nestes últimos dias, na listagls a gente tem discutido sobre outing (sair do armário) e, bem que poderíamos falar, também, do voltar ao armário.

Muita gente tem se espantado com a vida GLBT como se nós fossemos uma cópia fiel do modo de ser heteroafetivo. E, não é bem assim.

Há muito mais que simplesmente dormir com alguém do mesmo sexo, para ser considerado/a transgressor/a de um comportamento institucionalizado como normal. Para ser considerado/a GLBT. O fato é que não somos transgressores de normalidades construídas historicamente. Somos apenas expressões da diversidade humana, nada mais.

Ser gay, lésbica, bissexual, transexual ou travesti implica num modo de vida, num primeiro olhar, não muito diferente do tipo hetero. Tem um, digamos, na falta de uma palavra melhor, um estilo próprio. Um estilo que não segue padrão algum, a não se o único que conhecemos e que não é exclusividade de qualquer orientação.

Algumas pessoas têm a péssima mania de tipologizar o comportamento GLBT generalizando-o: todo gay tem comportamento sexual, devasso, pervertido, etc. como se fossemos uma máquina de moer carne. Outra bobagem é que as lésbicas não se dão bem com gays, que toda lésbica tem que ter comportamento masculinizado.

Estas pessoas confundem travesti com transexual e com hermafrodita. E, assim produzem uma saraivada de besteiras que chega ao senso comum hetero e, as pessoas começam a tratar GLBT como se fossem seres de outro planeta.

Somos prova cabal de que a sexualidade, a afetividade humanas, são diversas e que o afeto nem sempre vai bater com as expectativas do gênero que pensamos ser, ter, sei lá!

Me chateia a enormidade de pessoas burras. Gente que não quer aprender, não quer se emancipar e assim ingressar num mundo seleto daquelas pessoas que compreendem que ninguém NUNCA foi igual ao outro ou outra. Nem gêmeos, o são.
Muito diferente de falar de pessoas ignorantes, ou que não tiveram acesso a Educação.

Me chateia como usam as pessoas simplórias e entopem a cabeça delas de dogmas que levam estas a crer que GLBT´s são aberrações.

Me chateia um governo cooptado, numa sinergia fora do esperado. Que se alia ao diabo para conseguir benesses.

Me chateia que o socialismo que prometia isonomia de direitos é o mesmo que tem sob seu guarda-chuva conchavos com as religiões.

Eu não perdi a indignação diante dos fatos. Fatos falam por si.
E, é esse o recado que eu quero dar no dia de hoje: não percam de vista a indignação porque querem usar GLBT´s como massa de manobra.

Eu quero os mesmos DIREITOS dados a heterossexuais porque eu conquistei estes no momento em que nasci.

Parecece que todo o dia é um ato de patinar na lama. Parece que não saímos do mesmo lugar e as conquistas levam décadas. Mas, a diferença esta no fato de que elas ACONTECEM. e, so tendem a aumentar a velocidade à medida em que tivermos mais união.





28 06 2007

Atenção militantes e ativistas dos Direitos Humanos de Santa Catarina. Repasso convite, enquanto membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SC (vide abaixo).

Importante que, representantes dos mais diversos segmentos de nossa sociedade se façam presentes. Por isso, solicito a gentileza de repassar a pessoas que você conhece.

CONVITE

A Presidente da Comissão de Direitos e Garantias Fundamentais de Amparo à Família e à Mulher, Deputada Ada Faraco De Luca atendendo requerimento do Presidente da Comissão Estadual de Direitos Humanos da OAB Secção Santa Catarina, Dr. Dórian Esteves Ribas Marinho convidam para a Audiência Pública onde será discutido o tema “Semana dos Direitos Humanos: Discussão de Implantação do Conselho Estadual de Direitos Humanos – CEDH”, no dia 02 de julho de 2007 (segunda-feira) às 9:30 horas, no Plenarinho Paulo Stuart Wright na Assembléia Legislativa.





O Ministério da Saúde disponibiliza para Consulta Pública

28 06 2007

O Ministério da Saúde disponibiliza para Consulta Pública o Plano Nacional de enfrentamento da epidemia de aids e outras doenças sexualmente transmissíveis entre gays, outros homens que fazem sexo com homens e travestis.

Trata-se da implementação da política de prevenção e controle das DST/aids voltada à redução das vulnerabilidades que continuam contribuindo para que estes grupos estejam mais suscetíveis à infecção pelo HIV e outras DST. O Plano expressa o compromisso do Ministério da Saúde para a efetivação das diretrizes estabelecidas no Programa Brasil sem Homofobia.

Esse Plano é constituído por duas Agendas diferenciadas: a Agenda Afirmativa para Gays e outros HSH e a Agenda Afirmativa para Travestis. A implantação e implementação das ações propostas nas duas agendas contribuirão para a melhoria do acolhimento e da resposta à epidemia de aids entre estes grupos no contexto do Sistema Único de Saúde. 

O objetivo da Consulta Pública é ampliar a oportunidade de participação da sociedade na elaboração e aprimoramento do plano.

As contribuições serão organizadas em 3 blocos. Para inserir sua colaboração selecione o bloco sobre o qual você deseja se manifestar clicando nos links abaixo.

Período da consulta: 28 de junho a 28 de julho.

http://www.aids.gov.br/main.asp?View={741BF979-8520-42D0-8AC8-32FBDBE9ECCD}

Observação: para se proteger de vírus de computador, os programas de email podem impedir o envio ou recebimento de alguns tipos de anexo de arquivo. Verifique as configurações de email para determinar como os anexos são manipulados.





No Brasil, consumo de cocaína é o dobro da média mundial, aponta relatório da ONU

27 06 2007
 

ONU-Brasil    Boletim Diário nº 251

Olá, ROBERTO LUIZ WARKEN

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No Brasil, consumo de cocaína é o dobro da média mundial, aponta relatório da ONU
Estudo do Escritório da ONU contra Drogas e Crimes aponta que 0,3% da população mundial usa o entorpecente pelo menos uma vez por ano; no Brasil, proporção é de 0,7%.

Lula assina pacto em prol de crianças do Semi-árido
Presidente firmou termo em que se compromete a, com apoio de ONGs e empresas, melhorar a vida dos 13 milhões de meninos e meninas da região.

ONU terá busto para Sérgio Vieira de Mello
O Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos vai inaugura na quinta-feira, em Genebra, obra que homenageia o diplomata, morto em 2003.

Atletas do Pan receberão informações sobre Aids
Durante inscrição para os Jogos, no Rio de Janeiro, competidores falarão sobre importância do esporte para enfrentar o HIV e para levar um vida saudável.

http://www.onu-brasil.org.br

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Caminhada contra a violência na Augusta marca o Dia do Orgulho GLBT em São Paulo

26 06 2007
 

Caminhada contra a violência na Augusta marca o Dia do Orgulho GLBT em São Paulo


A concentração ocorre a partir das 19h00 na esquina da Rua da
Consolação com a Alameda Itu, próximo ao Bar du Bocage, e deve seguir
pela rua Augusta, onde termina, por volta das 22h00

Na próxima quinta-feira (28), -Dia Internacional do Orgulho GLBT-, a
Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT) promove
uma caminhada contra a violência nos redutos de gays, lésbicas,
bissexuais, travestis e transexuais nos locais conhecidos por
quadrilátero dos Jardins e Triangulo das Bermudas, em Cerqueira César,
próximo à avenida Paulista.

A concentração ocorre por volta das 19h00 na esquina da Rua da
Consolação com a Alameda Itu, próximo ao Bar du Bocage, e deve seguir
pela rua Augusta, até a esquina da Rua Fernando de Albuquerque, onde
termina, por volta das 22h00.

A manifestação é motivada pela série de espancamentos, assassinatos e
arrastões de gangues, muitas vezes identificadas como neonazistas, que
vêm ocorrendo na região dos bares e restaurantes daquela região.

Não se Cale!

A atividade faz parte da campanha da APOGLBT “Não se cale!” que visa a
alertar a população GLBT para a necessidade de registro policial das
ocorrências de violência homofóbica.

Durante a manifestação será disponibilizada, para a população que
comparecer ao ato, materiais educativos contra a violação de direitos
de GLBTT, além da divulgação no site da APOGLBT da cartilha “Não se
cale!” e dos dados da pesquisa realizada na Parada do Orgulho GLBT de
2006.

A campanha “Não se Cale!” teve início com manifestação no dia 23 de
fevereiro, na Rua Vieira de Carvalho, esquina com a Praça da
República, onde ocorrem ataques sistemáticos de ladrões aos GLBTs que
freqüentam os bares, além de gangues de neonazistas que agridem
gratuitamente GLBTs que passem pela praça.

Outra atividade da campanha é o “Papo de Mina Especial” sobre
violência, que ocorre na quarta-feira (27), às 19h, no Espaço
Impróprio (R. Dna. Antônia de Queiroz, 40).

B.O.

O local onde será finalizada a manifestação foi onde houve o caso de
agressão sofrida por uma lésbica de 17 anos, no sábado (16). A
adolescente A.L.S., de 17 anos, foi agredida por uma gangue de
racistas e homofóbicos, dentro da Pizzaria Vitrine, na rua Augusta,
Centro de São Paulo.

Na sexta-feira (22), houve novo arrastão de gangue, que provocou o
assassinado de um garçom. Outro caso que teve ampla repercussão foi o
assassinato a facadas de um turista francês, logo após ter ocorrido a
Parada na Avenida Paulista, na noite do dia 10.

No ato do dia 23 de fevereiro, o estopim foram os casos do ator que
levou um chute de neonazistas e perdeu o rim, em plena Praça da
República, além do professor que ficou desfigurado após espancamento
na região dos Jardins. Após o ato, a polícia começou uma rotina de
policiamento na região da Praça da República.

Reivindicações

A intenção da APOGLBT ao convocar a manifestação é chamar atenção para
a necessidade e urgência de:

·         Aprovação do PLC 122/2006, que criminaliza a homofobia e
tramita no Senado;

·         Capacitação de policiais para o atendimento de vítimas de
violência, sobretudo quando se trata de crimes homofóbicos ou de
intolerância;

·         Aumento do policiamento preventivo na região e da rápida
apuração e punição da autoria dos crimes ocorridos.

A manifestação terá o apoio da Coordenadora de Assuntos da Diversidade
Sexual da Prefeitura de São Paulo (Cads), do Centro de Referência em
Direitos Humanos e Combate à Homofobia e da equipe da Delegacia de
Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

Pesquisa

São 67% os entrevistados na pesquisa Sexualidade, Cidadania e
Homofobia, realizada na Parada do Orgulho GLBT de São Paulo de 2006,
que relatam ter sido vítima de algum tipo de discriminação devido à
sua sexualidade. Desses, 59% relataram uma ou mais situações de
agressão ao longo da vida.

Os resultados obtidos indicam o círculo de amigos ou vizinhos como
ambientes onde homossexuais, bissexuais e pessoas trans (travestis e
transexuais) são mais discriminados: um terço (32%) dos entrevistados
afirmaram ter sido discriminados nesses contextos. De perto, seguem as
situações de marginalização ou exclusão na escola ou faculdade (29%).
Em terceiro lugar vem a discriminação ocorrida em ambiente familiar
(26%).

Outro ponto destacado pelo documento é o percentual de participantes
que declarou ter sido mal atendido em delegacias por policiais (18%)
devido à sua orientação sexual ou identidade de gênero, visto que o
contato com serviços policiais não é algo cotidiano.

A maior parte dos casos de agressão relatados (60%) ocorreu em locais
públicos. Logo depois, aparece o ambiente doméstico (15%), seguido do
ambiente escolar (12%), do trabalho (7%) e de estabelecimentos
comerciais (5%). Esse padrão apresenta variações de acordo com fatores
como o sexo e a idade dos entrevistados, de modo que agressões em
ambiente doméstico são mais freqüentes entre as mulheres e, no âmbito
escolar, são mais relatadas entre homens e pelos mais jovens.

Embora a incidência de agressões motivada pela sexualidade seja alta,
apenas 43% dos agredidos chegaram a relatar o fato a alguém. Amigos
(21%) foram aqueles para quem a agressão foi relatada mais
freqüentemente, seguidos pela polícia (11%) e por familiares (9%). São
dados como esse que subsidiaram a elaboração da campanha e da cartilha
“Não se Cale!”

A pesquisa “Sexualidade, Cidadania e Homofobia” foi elaborada pela
APOGLBT em parceria com a Criterium Assessoria em Pesquisas e
financiada com recursos do Programa Brasil Sem Homofobia,
disponibilizados pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da
Presidência da República.
Mais informações:
APOGLBT, fone: 3362-2361
Cezar Xavier, assessor de imprensa da APOGLBT
fone: 11-9963-1528





21 06 2007


Justiça manda retirar outdoors das ruas de CG
  • ROSÂNGELA ARAÚJO E FRANCINETE SILVA

POLÊMICA – Outdoors com texto bíblico são uma campanha da Vinacc
A juíza da 1ª Vara Civil de Campina Grande, Maria Emília Neiva de Oliveira, determinou ontem a retirada dos outdoors com mensagens homofóbicas espalhados na cidade pela Visão da Nova Consciência Cristã (Vinacc) e suspendeu o manifesto contra o homossexualismo que seria realizado pela entidade amanhã, na Praça da Bandeira. A decisão da magistrada foi em atendimento a Ação Cautelar e Nominada, com pedido de liminar, impetrada pela Rede Nacional de Pessoas Vivendo e Convivendo o HIV/Aids (RNP Campina Grande), com o apoio de várias entidades que defendem os direitos dos homossexuais na cidade.
As entidades decidiram recorrer à Justiça por se sentirem ofendidas com a campanha promovida pela Vinacc, que além de espalhar 10 outdoors com a frase “Homossexualismo! E fez Deus o homem e a mulher e viu que era bom”, citando um texto bíblico de Gênesis, também vinha distribuindo panfletos e divulgando material contra os homossexuais no site da entidade. Todos os mecanismos utilizados na campanha, segundo a juíza, estão proibidos e os representantes da Vinacc que encabeçaram a manifestação serão citados e informados da decisão hoje.
Maria Emília disse que a determinação em favor da liminar foi tomada com base no Artigo 5º da Constituição Federal, o qual declara que as pessoas são iguais, independente da raça, religião ou opção sexual. Para ela, a ação da Vinacc pode ser interpretada como preconceito contra os homossexuais. “A retirada dos outdoors deve ser imediata!”, falou a juíza. O presidente da Visão Nacional para a Consciência Cristã, pastor Euder Faber, disse que só iria se pronunciar sobre a decisão da Justiça quando fosse notificado. “Só depois de sermos citados formalmente, vamos tomar nossas providências”, adiantou.
Os outdoors com mensagens homofóbicas espalhados por Campina Grande causaram polêmica às entidades representantes da comunidade de homossexuais, que decidiram acionar a Justiça e entraram ontem pela manhã com uma Ação Cautelar, a qual foi apreciada no final da tarde pela juíza. De todas as petições feitas pelas entidades, apenas a de medida de reparação não pôde ser atendida pela magistrada, segundo ela, por não ser da competência da Vara Civil.
A mobilização contra a Vinacc contou com as entidades: Fórum GLBT, Rede Nacional de Pessoas Vivendo e Convivendo o HIV/Aids (RNP Campina Grande), Grupo de Apoio à Vida (GAV), Associação Campinense de Homossexuais, Centro de Proteção e Aconselhamento das Profissionais do Sexo (Cipmac), Centro da Mulher 8 de Março, Programa Sentinela.
O presidente da Associação de Homossexuais de Campina Grande, David Soares, disse que a decisão da Justiça foi mais do que acertada.
O pastor Faber esperava que a Justiça interpretasse a manifestação em defesa das famílias garantida na Constituição Federal e não como ato de preconceito.





Skinheads atacam lésbica de 17 anos na Rua Augusta, em SP

20 06 2007
 

Agressão

Skinheads atacam lésbica de 17 anos na Rua Augusta, em SP

 

Por Bruna Angrisani* 19/6/2007 14:44

No último sábado (16) a adolescente A.L.S., de apenas 17 anos, foi agredida por skinheads dentro da Pizzaria Vitrine, na rua Augusta, centro de São Paulo. A agressão aconteceu por volta de 0h, momento em que a pizzaria encontrava-se lotada por conta das diversas casas noturnas que funcionam ao redor.

Os skinheads atacaram a menor quando ela já estava indo embora do local acompanhada de três amigas. Um deles assediou e tocou indevidamente duas amigas da adolescente, que ao perceber o que estava acontecendo, virou-se para trás e foi surpreendida com um soco no rosto. O mesmo agressor ainda suspendeu a vítima pela jaqueta para intimidá-la.

Testemunhas que não querem se identificar afirmam que enquanto o grupo de skinheads divertia-se com o pavor das meninas, a adolescente agredida perguntava porque havia sido atacada, quando um deles respondeu aos risos e ironicamente: “Foi um engano, é que nós confundimos você com um homem”.

Logo depois outras pessoas se envolveram para defendê-la, e A.L.S. saiu imediatamente do local para chamar a polícia. Quando a polícia chegou, o grupo de skinheads continuava na pizzaria e consumia ali dentro como se nada houvesse acontecido.

A polícia abordou os marginais, fez perguntas à A.L.S. e ofereceu duas opções às denunciantes: todos irem para a Delegacia mais próxima para a vítima registrar o Boletim de Ocorrência ou que ela anotasse os dados do agressor e prestasse queixa depois.

A.L.S afirma que um dos policiais deixou claro que a segunda opção seria melhor para ele, já que ele teria cinco boletins de ocorrência para serem registrados na frente. Com medo e nervosa, a menor aceitou a recomendação e foi embora a pé sem nenhuma escolta ou ajuda da polícia.

M.S.C, a irmã da vítima, afirma que procurou a Delegacia da Mulher para registrar a denúncia e ninguém soube orientá-la, já que se tratava de crime de intolerância. Somente na segunda-feira, após entrar em contato com a Associação da Parada do Orgulho GLBT, ela conseguiu o contato da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI), onde registrará a queixa.

Freqüentadores da rua Augusta e comerciantes locais que também não quiseram se identificar afirmam que casos como este vêm acontecendo com freqüência na região que é considerada um dos maiores pontos gay e alternativo de São Paulo. Segundo eles, o maior alvo dos marginais são gays, lésbicas e “emos”. Para denunciar casos como este a vítima deve entrar em contato com o DECRADI através do telefone (11) 3331.3985 ou mandar e-mail para delitosintolerancia@ig.com.br.

*A jornalista cedeu ao A Capa o texto para publicação

 


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17 06 2007

Sexo, Energia e Possibilidades

Maria Cláudia Cabral*

‘’É tão difícil encontrar, entre milhões de pessoas, alguém para compartilhar felicidade, que eliminar cinqüenta por cento das possibilidades torna as coisas muito mais difíceis’’(Procura-se Amy)

Existem cerca de 56 bilhões de habitantes no planeta Terra, destes x% pertencem ao gênero masculino, x% ao gênero feminino. Há alguns anos costumava dizer do meu respeito por quem saía do armário e do meu desprezo por aqueles que se escondiam atrás de uma vida dupla. Confundia o receio – compreensível – de expor a própria orientação sexual, com a opção pelo bissexualismo. Não entendia, nem aceitava um e outro.

Os anos passaram e aprendi, observando ao redor, com coração e mente aberta, que nem sempre é fácil andar na contra-mão da sociedade, que por vezes é muito doloroso ir de encontro ao sistema de crenças e mandatos da família e da comunidade. E que por mais que manter casos homossexuais pareça covardia e desrespeito com o parceiro hetero – isso é mais comum que a maioria pode supor – em boa parte das vezes acontece por fundado receio de ser rechaçado por seus pares. A rejeição é um temor que aflige a todos os seres humanos, portanto não deveria ser tão difícil colocar-mo-nos na pele de outro e simplesmente compreender que cada um de nós tem seu próprio tempo.

Por outro lado, o bissexualismo ainda passou um tempo incomodando a cabeça cheia de crenças. Vinculado que esteve, por longo período, à idéia de promiscuidade e a de desamor. No entanto, no último verão, caminhando num fim de tarde a conversar com um grande amigo, recebi a dádiva de ver a questão por outro ângulo. Saí do meu lugarzinho comum confortável, despi-me da sutil, mas insistente arrogância e aceitei a tese por ele apresentada. Ele dizia que sexo é troca de energia, encontro de almas e que quando duas pessoas se encontram não são seus corpos – macho-fêmea, macho-macho, fêmea-fêmea – que se enlaçam, mas suas almas, a energia fluída de que somos compostos. É, portanto, a troca de energias, em última análise, que acontece. É o valor da qualidade das energias ali presentes, o valor que se está dando àquele encontro de almas que qualificará o encontro como construtivo ou destrutivo.

Confesso: passei dias refletindo sobre a tese, por vezes sentia-me boba por não ter visto esta nova perspectiva antes e grata por ter conseguido enxergar finalmente. Deixo a pergunta que não quer calar, a fim de provocar o debate: hetero ou homossexuais, qual tem sido a qualidade dos nossos encontros? Qual tem sido o valor de nossas trocas energéticas?

Pensemos nisto, vamos refletir juntos.

Maria Claudia Cabral é Advogada